Governo alemão lança campanha contra anorexia e bulimia


 

Lusa/AO online   Internacional   13 de Dez de 2007, 16:06

O governo alemão lançou a campanha "A Vida Tem Peso" contra a anorexia e bulimia, apoiada por várias figuras públicas, para combater perturbações alimentares de jovens que vêem na magreza extrema o ideal de beleza.
      Um quinto das crianças alemãs entre os 11 e os 17 anos, o que corrresponde a 1,7 milhões de adolescentes, sobretudo do sexo feminino, sofrem deste género de perturbações, o que a ministra da Saúde alemã, Ulla Schmidt, considerou "extremamente" preocupante", em conferência de imprensa em Berlim.

    A mesma responsável adiantou ainda que 56 por cento dos jovens entre os 13 e os 14 anos quer ser mais magro e 63 por cento disse no mesmo inquérito, encomendado pelo Ministério da Saúde, que gostavam de ter melhor aspecto.

    Para a ministra da Família e Juventude alemã, Ursula von der Leyen, "a anorexia é sobretudo feminina, e muito jovem".

    Não se trata apenas de aspirar a ideais de beleza e a perder calorias, mas de "perigos concretos", porque em cada dez anoréxicos nove são do sexo feminino e uma em cada dez morre na sequência da doença, acrescentou von der Leyen.

    As causas da anorexia são a recusa do próprio corpo durante a puberdade "e por isso a prevenção é decisiva", afirmou a ministra da Ciência e Tecnologia alemã, Annete Schavan, que também apresentou a campanha.

    "É preciso contrariar as imagens aliciantes e destruidoras de figuras públicas extremamente magras com exemplos mais positivos, em que a beleza e o equíbrio físico estejam em harmonia", alertou a ministra.

    Alice Schwarzer, editora da revista feminista Emma, promotora da campanha contra a anorexia, sublinhou ainda que este fenómeno "não é uma moda, é uma ameaça letal às mulheres e jovens".

    A conhecida activista dos direitos da mulher acrescentou que passar fome se tornou no "vício número um" do mundo ocidental, o que já levou os psiquiatras a falar de uma psicose de massas.

    Alice Schwarzer pediu à comunicação social para deixar de "propagar imagens cruéis", advertindo que "ser magro não pode continuar a ser sinónimo de ser elegante".

    Por sua vez, a estilista alemã Jette Joop apelou ao mundo da moda para renunciar a modelos extremamente magras.

    A mesma estilista reconheceu que os vestidos "caem" melhor em pessoas magras do que em corpos normais, "mas coloca-se a questão de saber se os estilistas só conseguem criar figurinos para tais modelos".

    Jette Joop confessou ainda que nunca achou bonitas pessoas que são muito magras e disse "não conhecer nenhum homem que as ache particularmente atraentes".

    A campanha agora lançada pelo governo alemão contra a anorexia ou a bulimia contará com a participação de políticos, médicos, associações e também nomes do mundo da moda, e será dirigida sobretudo às escolas e clubes desportivos.

    No entanto, as três ministras do governo federal sublinharam que "sobretudo os pais têm de saber detectar sinais alarmantes nos filhos o mais cedo possível".

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