Estudo defende "mudança radical" nos apoios à criação do próprio emprego


 

Lusa/AO Online   Nacional   28 de Out de 2013, 09:51

Um estudo desenvolvido nos últimos três anos por investigadores da Universidade de Coimbra (UC) defende "uma mudança radical" das políticas de resposta aos desempregados.

 

“É necessária uma mudança profunda nas políticas de resposta às pessoas que se encontram em situação de desemprego”, concluiu uma investigação desenvolvida “ao longo dos últimos três anos, por uma equipa multidisciplinar de dez investigadores” daquela instituição, afirma uma nota da UC hoje divulgada.

A formação profissional é uma das áreas que tem de ser repensada, afirmam os especialistas, sustentando que é necessária uma “formação pragmática”.

Alertam, por outro lado, para “a burocracia excessiva” que contraria o empreendedorismo.

Denominado “Impactos e ajustamentos psicossociais da transição para o desemprego involuntário de pessoas com idade igual ou superior a 40 anos”, o estudo sublinha que a “aceitação do desemprego como um fenómeno transversal na nossa sociedade exige um apoio sistemático e holístico”.

Esse apoio deve “oferecer as condições necessárias para que o indivíduo possa ter acesso e sucesso nas suas alternativas”, salienta Eduardo Santos, coordenador do estudo e coordenador científico do Instituto de Psicologia Cognitiva, Desenvolvimento Vocacional e Social da UC.

Financiada pela Fundação para a Ciência e Tecnologia, a pesquisa – da qual já resultou o livro “de Desempregados a Empreendedores” – considera que “um dos ajustamentos mais eficazes” ao desemprego “é a criação do próprio emprego, porque o Estado Social está a falhar”.

As atuais “políticas de apoio [aos desempregados] estão ultrapassadas”, sublinha Eduardo Santos.

“Há uma burocracia excessiva que leva os desempregados a arriscarem pouco no empreendedorismo” e “é urgente repensar, por exemplo, a formação profissional, apostando numa formação pragmática centrada na flexibilidade e no desenvolvimento de competências de competitividade capazes de vencer as regras do mercado, que é extremamente agressivo”, afirma.

Perante as conclusões obtidas no estudo, que envolveu mais de dois milhares de cidadãos em situação de desemprego, os cientistas elencaram um conjunto de recomendações práticas para a reformulação de políticas.

Defendem, por exemplo, a criação de um serviço nacional de atendimento aos micro empresários, que “os ajude a gerir aspetos como competitividade, eficiência, custos e lhes faculte informação e apoio”.

Outra das medidas preconizadas pelos investigadores aponta para a formação de “uma rede onde todos os micro empresários possam estar sempre em contacto para a partilha de experiências e troca de informações”.

 


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