Estivadores podem voltar às greves

Estivadores podem voltar às greves

 

Lusa/AO online   Economia   30 de Out de 2013, 16:21

O presidente do Sindicato dos Estivadores, António Mariano, anunciou, em Aveiro, a continuação da luta contra os baixos salários nos portos, afirmando que o Governo "pretende despedir todos os estivadores que ganhem mais de 500 euros".

"Não podemos aceitar este modelo que pretendem instalar. Estivemos em luta e vamos continuar em luta e vai-se saber disso nos próximos tempos, com maior exatidão", disse o sindicalista, que falava durante um debate sobre portos, promovido pelo Diário de Notícias.

Durante o debate, o presidente do Sindicato dos Estivadores contestou o modelo de gestão baseado no "baixo custo e velocidade alta" que está a ser implementado nos portos de Leixões e Sines.

"É evidente que quando se diz maior velocidade e baixo custo, estamos a falar de ter portos sem areias na engrenagem, sem organização sindical, com trabalho precário, com salários baixos", explicou o sindicalista.

Do lado oposto está o presidente da Comunidade Portuária de Leixões, Jaime Vieira dos Santos, que disse que os portos que não seguirem este modelo "vão fora".

Jaime Vieira dos Santos referiu que Portugal tem das melhores infraestruturas do mundo e o que é preciso é "saber jogar nesta estrutura", citando o Porto de Leixões como um caso de sucesso.

"A logística exige custo baixo, mas exige acima de tudo velocidade. Então, temos de investir na passagem à cadeia logística de fluidez", afirmou o mesmo responsável, acrescentando que "o que não conta na mão de um carregador são bloqueamentos com perturbações laborais ou porque há um canal que não funciona".

O presidente da Associação dos Portos de Portugal (APP), José Luís Cacho, aproveitou a oportunidade para defender um aumento da concorrência nos portos.

"A falta de concorrência é um dos problemas que existem atualmente nos portos", afirmou José Luís Cacho, afirmando que há "poucas empresas a competir entre si em termos de operação portuária".

José Luís Cacho, que disse não ver qualquer problema na possibilidade dos portos virem a ser geridos no futuro na perspetiva privada ou publico/privada, adiantou ainda que todos os investimentos que têm vindo a ser realizados nos portos "são bastantes reprodutivos e trazem o seu retorno, não só para as empresas portuárias, mas também para a economia da região".

Também presente no debate, o presidente da Câmara de Aveiro, Ribau Esteves, destacou o bom relacionamento existente entre o Porto de Aveiro e os municípios envolventes, apesar de pontualmente haver situações que causam danos à população.

"De vez em quando há uma operação de descarga de um material que produz pó que corre mal e lá vai uma nuvem de pó para cima das casas das pessoas e que suja tudo", adiantou o autarca, sublinhando que se trata de "situações esporádicas".


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