Açoriano Oriental
Debate de primárias Democratas na 3.ª feira dominado por destituição e Médio Oriente

Apenas seis candidatos às primárias do Partido Democrata para as eleições presidenciais de novembro próximo se habilitaram para o debate de terça-feira, que deverá ser dominado pelo conflito no Médio Oriente e pelo processo de ‘impeachment’.

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Foto: EPA/SERGEY DOLZHENKO
Autor: Lusa/AO Online

O partido admitiu adiar este debate de janeiro, temendo que ele coincidisse com o arranque do julgamento político de Donald Trump, no Senado, mas o processo de destituição do Presidente está num impasse e ficará como um dos temas de discussão, rivalizando com a perspetiva dos candidatos sobre o conflito com o Irão.

Pelas normas do partido, só podem participar no debate da noite de terça-feira (madrugada de quarta-feira em Portugal continental) quem tiver pelo menos 5% de intenções de votos, nas sondagens, e tiver recolhido donativos de pelo menos 225 mil simpatizantes, o que habilitou apenas seis dos 14 candidatos que ainda estão na corrida presidencial.

As regras restritas do partido estão a causar desconforto entre vários candidatos, sobretudo os que começam a ficar excluídos dos debates e, no início deste mês, nove destes enviaram uma carta ao Comité Nacional pedindo para flexibilizar o modo de seleção.

“Embora saibamos que não foi a intenção do Comité, muitos dos candidatos excluídos devido às regras foram os que ajudaram a tornar o campo das primárias historicamente diversificado”, escreveram esses nove candidatos excluídos do debate de terça-feira.

Na verdade, no palco de Des Moines, todos os candidatos (Joe Biden, Peter Buttigieg, Amy Klobuchar, Bernie Sanders, Elizabeth Warren e Tom Steyer) são brancos, não havendo um único representante de minorias, que constituem eleitorados determinantes para a vitória dos candidatos.

Aliás, o melhor posicionado candidato nas sondagens, Joe Biden, é apontado como aquele que melhor apela à minoria negra, fruto da sua relação próxima com Barack Obama, o ex-Presidente de quem foi seu vice.

Biden estará certamente no centro das atenções do debate do Iowa, exatamente pelas posições que assumiu enquanto vice-Presidente relativamente ao conflito com o Irão – um dos temas incontornáveis, com a escalada de tensões na região, após o ataque aéreo norte-americano que matou um alto comandante iraniano.

A maioria dos candidatos democratas à Casa Branca irá defender uma posição de menor envolvimento militar dos EUA no Médio Oriente, criticando o Presidente Donald Trump pela ambiguidade de posicionamento, lembrando as suas promessas de saída de tropas e o recente anúncio de reforço das forças militares na região.

Contudo, Joe Biden dificilmente poderá alinhar por esta bitola, depois de ter defendido, no seu passado de vice-Presidente de Obama, uma mais forte posição militar no Médio Oriente e uma mais condescendente atitude para com o Irão - de resto, Trump, na sua comunicação ao país, na passada semana, lembrou os muitos milhões de dólares de ajuda ao Governo iraniano, por parte da anterior administração, que serviram para financiar atividades terroristas.

Mas nenhum dos seis candidatos no debate se atreverá a defender as posições e as declarações de Donald Trump, que será alvo de críticas e de consensos no processo de destituição.

A duas semanas da primeira eleição primária, no dia 02 de fevereiro no Iowa, as divergências sobre este tema poderão estar nas posições dos candidatos sobre a celeridade com que o processo deve ser conduzido no Congresso.

O debate - que decorrerá em Des Moines, no Estado do Iowa, tendo por anfitriões a estação televisiva de notícias CNN e o jornal The Des Moines Register – não passará ao lado da questão do financiamento do serviço nacional de saúde, onde os candidatos mais à esquerda [Bernie Sanders e Elizabeth Warren] serão de novo questionados pelos mais moderados sobre como tencionam garantir a universalidade do sistema que propõem.


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