Cruz Vermelha portuguesa constroi 600 casas no Haiti


 

Lusa/AO On line   Nacional   4 de Out de 2010, 06:26

A Cruz Vermelha Portuguesa está a participar num projeto de construção de 600 casas para famílias desalojadas pelo sismo de janeiro no Haiti, um país onde ainda falta quase tudo, segundo fonte da organização.

No âmbito de uma parceria com a Cruz Vermelha Suíça e que proximamente incluirá também a congénere belga, foram já concluídas 24 casas e 26 encontram-se em fase de acabamento.

As primeiras habitações foram entregues nos últimos dias durante a deslocação ao país de uma delegação para acompanhar o processo, em que estiveram dois portugueses.

As casas erguem-se numa zona montanhosa a 70/80 quilómetros da capital do país, Port-au-Pince, onde as pessoas “não têm nada, literalmente nada”, contou à agência Lusa Pimenta Araújo, recém-chegado do Haiti.

São as próprias famílias que constroem as fundações das casas em que assentam estruturas pré-fabricadas, importadas do Vietname, nas bases de betão.

A Cruz Vermelha Portuguesa participa com 300 mil euros neste projeto de reconstrução, depois de ter enviado 500 mil euros para ajuda de emergência.

O valor total do projeto em curso para dar um teto a 600 famílias ronda os 2,9 milhões de euros e será comparticipado também pela Cruz Vermelha Belga, segundo a mesma fonte.

São habitações de divisão única, com três janelas e uma porta em alumínio, respeitando “a tradição da região”, onde as pessoas “não cozinham nem têm a parte sanitária dentro de casa”, referiu.

“Cozinham fora e as latrinas também são fora de casa. No fundo, é só para as pessoas terem um teto para dormir e se protegerem da chuva”, relatou.

As casas foram, porém, testadas para serem resistentes em situações de tremores de terra e tufões, disse.

O projeto tem conclusão prevista para setembro do próximo ano, mas no Haiti ainda há muito para reconstruir, continuando a devastação bem patente na capital, onde se situavam os edifícios mais altos, que ficaram completamente arrasados, garantiu.

“O nosso projeto foi para casas isoladas na zona de montanha onde ficou tudo arrasado, mas a maior visibilidade da catástrofe é em Port-au-Prince”, recordou.

O engenheiro garantiu ainda faltarem “muitos anos” para limpar e reconstruir o Haiti.

Durante a estada, viu crianças a terem aulas em pré-fabricados e uma escola de enfermagem instalada em tendas da Unicef. “As condições são muito precárias e difíceis”, assegurou, garantindo que o apoio e a mobilização das organizações vai ser necessário por muitos anos.

Pimenta Araújo sublinhou que o projeto está a ser desenvolvido com os contributos dos portugueses, num país que necessitará ainda de “muito apoio”, que vive grandes dificuldades e onde só a espiritualidade, vivida através de várias religiões, permite aos habitantes encararem “com alguma tranquilidade e serenidade” as adversidades diárias.

“De facto é difícil. Os serviços públicos não existem, são tendas nos jardins, nas ruas tudo se compra e tudo se vende e o lixo é cada vez maior porque não há saneamento básico. Dois terços da população não tem água potável”, descreveu.

O violento sismo que assolou o Haiti causou mais de 200 mil mortos e mais de um milhão de desalojados.


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