Açoriano Oriental
Covid-19
Cordão sanitário “é a forma mais correta” de atuar na Povoação

O presidente da Câmara da Povoação considerou que a criação de um cordão sanitário no concelho é “a forma mais correta” de atuar face aos casos de covid-19 no município.

Cordão sanitário “é a forma mais correta” de atuar na Povoação

Autor: Lusa/AO Online

“Se isso por um lado pode ser difícil porque há aqui o fecho de muitas empresas, por outro lado é o tratar de uma situação que nos está a pôr todos em perigo e que dessa forma é a forma mais correta no momento de atuar”, disse à Lusa Pedro Melo.

A Autoridade Regional de Saúde dos Açores decretou um cordão sanitário na Povoação devido à transmissão local do novo coronavírus, que, até ao momento, registou dois casos positivos neste concelho.

Pedro Melo destacou que se atuou de “forma rápida” no controlo das entradas e saídas do concelho, com o objetivo de conter a propagação do vírus, não existindo, por isso, motivos para alarmismos.

“[Quero passar] uma mensagem de tranquilidade, nada de alarmismos, porque a situação não requer isso. Nós estamos a ver o que está a acontecer pelo mundo fora e esta medida foi tomada precisamente com a preocupação de nós não permitirmos a propagação do vírus”, assinalou.

O concelho da Povoação, com cerca de 6.300 habitantes, é composto pelas freguesias de Povoação, Faial da Terra, Furnas, Nossa Senhora dos Remédios, Água Retorta e Ribeira Quente.

Sobre as autorizações sobre quem poderá entrar e sair do concelho, o autarca frisou que não sabe como “irá ser feito”, uma vez que ainda se aguardam as indicações da Autoridade de Saúde.

“Não tenho muitas dúvidas que pessoas que trabalham no ramo da farmácia e dos minimercados vão eventualmente ser autorizadas e vai haver algum controlo com essas pessoas na entrada e na saída”, referiu.

Pedro Melo considera que “agora a exigência será ainda maior” para os habitantes do concelho, apesar de nos “últimos dias” se ter visto “muito pouca gente a circular pelas ruas”, com exceção de “algum irresponsável que faz o que não deve”.

“É uma situação difícil, mas que nós temos de passar por ela com tranquilidade e sempre serenos, porque só assim” é que se vai “conseguir passar esta situação da melhor forma possível”, assinalou.

Uma das freguesias do concelho é a de Furnas, uma das zonas turísticas mais procuradas na ilha.

O presidente da Junta das Furnas falou de uma freguesia que estava a cumprir com todas as “normas recomendadas”, ainda antes de serem impostas, pelo que a sua maior preocupação eram as pessoas que iriam passear à freguesia.

“O que me preocupava, mais aos domingos, era ver pessoas que vinham de outras localidades para aqui passear, uma coisa impensável. Ainda hoje (domingo), depois de o cerco ser decretado, há pessoas que ficaram cá fechadas porque tinham vindo cá apenas ver as suas casas de férias e passear”, explicou Sandro Ferreira.

O presidente da junta considerou que a implementação de um cerco sanitário quando existem dois casos confirmados irá permitir “controlar a situação”.

“Estamos a decretar este cerco sanitário com dois casos confirmados apenas, mas também somos um concelho que não chega às 7.000 pessoas. Estamos a atuar por antecipação e vamos ter esperança de que vamos conseguir controlar a situação”, frisou.

Com 15 novos casos identificados no domingo, os Açores registam, até ao momento, 42 casos positivos de covid-19, dos quais 13 são na ilha de São Miguel, nove na Terceira, sete em São Jorge, oito no Pico e cinco no Faial.


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