Banco Alimentar lança inquérito para caracterizar pobreza no país


 

Lusa/AO On line   Nacional   15 de Abr de 2010, 07:04

O Banco Alimentar Contra a Fome lança a partir de hoje um inquérito a famílias carenciadas com o objetivo de obter o retrato da pobreza em Portugal e de compreender os hábitos de consumo dos mais necessitados.

Isabel Jonet, responsável pelo Banco Alimentar, explicou à agência Lusa que o questionário deverá ser respondido por mais de 60 mil pessoas, sendo enviado através de várias instituições de solidariedade social.

"Este inquérito pretende fazer uma caracterização de cada agregado familiar para se ter uma noção exata de quem são os pobres e quais são as suas características particulares, para poder chegar mais corretamente às suas necessidades", especificou.

O objetivo do Banco Alimentar, ajudado pela Universidade Católica, é criar um Observatório da Pobreza para que, anualmente, as pessoas mais carenciadas vão sendo analisadas e acompanhadas.

"Vamos ter resultados que até agora nunca tinham sido estudados. Vai ser possível fazer cruzamentos entre rendimentos e bens", exemplificou Isabel Jonet.

Assim, através das questões colocadas, o inquérito permitirá verificar se uma família com rendimentos baixos consegue, ainda assim, ter plasmas ou telemóveis, mesmo em detrimento de bens essenciais.

"Vai ser possível aferir a prioridade dada por estas famílias a tipologias de bens de consumo para se saber como se pode intervir para que estas famílias acertem a agulha. Muitas vezes a prioridade dos bens está desarrumada, está invertida", comenta a responsável do Banco Alimentar.

As questões do inquérito vão desde a escolaridade, estado de saúde, rendimentos ou empréstimos a algumas mais diretas, como: "Sente-se pobre?", "O que é para si ser pobre?", "Tem fome ou teve fome nos últimos seis meses?".

Paralelamente, o Banco Alimentar enviou já um questionário dirigido às próprias instituições de solidariedade social (cerca de 3000), para obter um retrato das organizações que lutam contra a pobreza em Portugal.

Os resultados dos inquéritos deverão ser conhecidos em outubro próximo.


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