António Guterres pede máxima abertura para os refugiados iraquianos


 

Lusa/AO online   Internacional   16 de Out de 2007, 17:36

O Alto Comissário da ONU para os Refugiados pediu aos países europeus máxima abertura para os refugiados iraquianos, declarando-se "muito preocupado" com a tensão existente entre a Turquia e o Curdistão e as consequências humanitárias desta situação.
    “Apelo à Europa para que mantenha a porta aberta aos refugiados iraquianos, é absolutamente fundamental neste momento”, declarou António Guterres durante uma visita à União Europeia, antes de um encontro com o comissário Franco Frattini, encarregado das questões de imigração.

    Guterres recordou que existem dois milhões de deslocados no interior do Iraque e que mais de dois milhões de iraquianos estão refugiados nos países vizinhos, dos quais 1,4 milhões na Síria e mais de 500.000 na Jordânia.

    Referindo-se à actual tensão existente na fronteira entre a Turquia e o Curdistão iraquiano (norte), o Alto Comissário mostrou-se “muito preocupado” com a possibilidade de uma ofensiva turca sobre os rebeldes curdos, o que “poderia provocar uma deslocação significativa de população numa região muito sensível” e aumentar o que é actualmente a maior crise de refugiados do Médio Oriente desde a década de 1940.

    O representante da ONU acrescentou que serviços na Síria e Jordânia, nomeadamente escolas, hospitais e serviços de electricidade e água, correm o risco de não comportar o fluxo de refugiados, precisando da ajuda exterior.

    “Estes países (Jordânia e Síria) conseguiram (suportar o fluxo de refugiados) com pouco apoio da comunidade internacional. Se a solidariedade internacional não se revelar de uma maneira expressiva, há um risco enorme de a capacidade de asilo se esgotar na região”, afirmou, considerando que "a ajuda internacional não foi de todo proporcional aos desafios com que estes dois países foram confrontados".

    "Poucos problemas humanitários foram tão negligenciados pela comunidade internacional como este", lembrou Guterres, atribuindo esta indiferença à "grande dimensão militar e política" da questão iraquiana.

    Descrevendo a zona norte do Iraque como a mais estável do país, onde também se encontram “iraquianos oriundos do sul e do centro do país que foram para ali à procura de segurança", manifestou o desejo de que "esta relativa segurança do Curdistão não seja afectada”.

    O governo turco pediu segunda-feira ao parlamento que aprove uma incursão militar no norte do Iraque contra os rebeldes curdos do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), argumentando que eles servem como uma base de ataque aos soldados turcos.

    O número de pedidos de asilo de iraquianos para países da União Europeia na primeira metade de 2007 (18.206 pedidos de asilo) quase que atinge os valores alcançados em todo o ano 2006, realçou o Alto Comissário das Nações Unidas para os Refugiados.
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