Segundo João Pinheiro, a época baixa do turismo “está mais longa, mais intensa e mais difícil de suportar” e quando, nesse período, “mais de metade das unidades não recebe qualquer hóspede”, isso “é um sinal claro de fragilidade estrutural”.
O dirigente, que falava na sessão de abertura do 4.º Encontro de Alojamento Local dos Açores, que decorre até sábado na Madalena, na ilha do Pico, reunindo proprietários, parceiros e entidades públicas e privadas, referiu que as preocupações estendem-se ao transporte aéreo e à promoção do destino Açores.
João Pinheiro, citado numa nota de imprensa, referiu-se à existência de uma “verdadeira tempestade perfeita”, apontando “a instabilidade mundial, a saída de uma companhia aérea ‘low-cost’ [a Ryanair, a partir de 29 de março, da região], a incerteza em torno da SATA e a falta de investimento consistente na promoção dos Açores” como fatores que criam “um cenário preocupante para 2026”.
Ainda assim, o presidente da ALA defendeu que este contexto deve ser encarado como uma oportunidade: “Devemos investir seriamente em marketing e afirmar os Açores como um destino seguro num mundo incerto”.
No discurso, também reforçou a importância económica e social do setor, lembrando que o AL “deixou há muito de ser um complemento do turismo nos Açores” e representa hoje “a maioria das camas disponíveis na região”.
Em 2023, o setor gerou cerca de 350 milhões de euros, valor que poderá atingir 500 milhões em 2024, sendo que “dois terços deste impacto são gerados de forma indireta e induzida, beneficiando outros setores da economia regional”, avançou.
João Pinheiro referiu, ainda, que o futuro do turismo nos Açores passa pela qualificação do AL, sublinhando que a portaria reguladora não é revista há cerca de 10 anos, mas “o setor evoluiu, o território mudou e o contexto económico é hoje completamente diferente”.
Para o responsável, o AL é o modelo turístico de que os Açores precisam, pois, na sua opinião, “não massifica, distribui a riqueza pelas pessoas […] e garante sustentabilidade económica, social e ambiental”.
Na sessão de abertura do evento, numa intervenção gravada, a secretária regional do Turismo, Mobilidade e Infraestruturas, Berta Cabral, afirmou que o AL tem “um papel absolutamente determinante nos Açores” e foi “decisivo numa fase crítica de transição do destino”, contributo que “não pode ser esquecido”.
Segundo Berta Cabral, este segmento permitiu “responder à procura, elevar a qualidade da oferta, diversificar experiências e, sobretudo, levar o turismo a todas as ilhas, a todo o território e ao longo de todo o ano”.
A governante, citada numa nota de imprensa do executivo regional, referiu que o AL tem “um efeito multiplicador muito relevante na economia regional”, contribuindo para o surgimento de novos negócios e empresas associadas ao turismo.
Reconheceu, contudo, que o setor nos Açores entra agora numa nova fase, marcada por fatores internos e externos que também afetam o AL.
“É uma fase que exige maturidade, reflexão estratégica e capacidade de adaptação”, afirmou.
Berta Cabral defende que a evolução deste segmento, à semelhança do destino turístico no seu conjunto, deve ser “sustentável, sustentada e orientada para a qualidade, para o valor percecionado e para a credibilidade da oferta”.
“Temos todos de garantir o equilíbrio entre o território, a capacidade instalada, a procura, a evolução da oferta e a nossa imagem externa”, concluiu.
Alojamento Local dos Açores atravessa período exigente
O presidente da Associação de Alojamento Local dos Açores (ALA), João Pinheiro, considerou que o setor “atravessa um período exigente”, com uma época baixa mais longa e “mais difícil de suportar”
Autor: Lusa/AO Online
