Administração Bush pressiona Congresso a «chumbar» resolução sobre genocídio arménio

A administração norte-americana pressionou hoje o Congresso a "chumbar" legislação que classifica de genocídio a morte de 1,5 milhões de arménios pelo Exército otomano entre 1915 e 1917, para não prejudicar as relações com a Turquia.


    "A aprovação deste pacote será muito prejudicial para as relações com o nosso aliado da NATO no combate ao terrorismo global", disse o presidente norte-americano, George W. Bush, aos jornalistas, em Washington.

    "Lamentamos profundamente o trágico sofrimento por que passou o povo arménio a partir de 1915", mas o texto "não dá uma resposta conveniente ao massacre histórico", acrescentou.

    A secretária de Estado, Condoleezza Rice, e o seu colega da Defesa, Robert Gates, entregaram uma petição conjunta na Casa Branca antes de a Comissão dos Negócios Estrangeiros do parlamento começar a votar a legislação a que se opõe Bush.

    Ancara - que na altura dos factos era o Império Otomano, porque a República só seria proclamada em 1923 - avisou Washington de que, se esta legislação for aprovada, as relações entre os dois países ficarão gravemente afectadas.

    A Turquia, membro fundador da Aliança Atlântica (NATO), é o principal aliado dos Estados Unidos para as operações militares no Médio Oriente.

    Rice partilha da posição de Ancara e Gates precisou que 70 por cento da carga e pelo menos um terço do combustível com destino ao Iraque passam pela Turquia.

    "O acesso aos aeroportos e rede rodoviária turca estarão em risco se a legislação passar e Ancara reagir como é de esperar", insistiu Gates.

    O secretário da Defesa adiantou que 95 por cento dos blindados anti-minas com destino ao Iraque estão a seguir via Turquia.

    O braço-de-ferro de Ancara com a administração Bush surge depois de o parlamento turco ter aprovado, na terça-feira, uma operação militar transfronteiriça no Curdistão iraquiano (norte) para "limpar" a resistência de pelo menos 3.500 guerrilheiros separatistas entrincheirados em "santuários" onde recebem apoio local.

    O Partido dos Trabalhadores do Cusdistão (PKK) - cujo líder, Abdullah Ocalan, cumpre prisão perpétua numa cadeia turca de alta segurança - é considerado terrorista por Ancara, pelos Estados Unidos e União Europeia (UE).

    Desde os alvores dos anos 1980, os combates entre o exército turco e o PKK já fizeram cerca de 36.000 mortos. Os guerrilheiros recrudesceram a sua acção desde o princípio do ano, que culminou em dois recentes atentados sangrentos.

    O exército turco tem estacionados cerca de 200.000 homens e sofisticado equipamento bélico no sudeste da Anatólia, e está há meses pronto para uma incursão no Curdistão Iraquiano que só ainda não ocorreu por não ter "luz verde" do governo e esbarrar com a oposição frontal dos Estados Unidos.

    Para Washington, uma ofensiva militar turca abriria uma frente de guerra na região mais estável do Iraque.

    Egemen Bagis, conselheiro de Política Externa do primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, declarou que tudo tem feito para "prevenir um erro histórico" dos parlamentares norte-americanos.

    Na terça-feira, a Embaixada dos Estados Unidos em Ancara alertou os seus cidadãos para a possibilidade de "protestos anti-norte-americanos no país", se a legislação passar em Washington.

    A missão diplomática norte-americana na capital turca foi hoje alvo do protesto de turcos contra a polémica legislação, bem como o consulado em Istambul, segundo a televisão NTV.

    A agência noticiosa turca Anatólia, citando um responsável político que deu voz à versão oficial sobre o alegado genocídio arménio, diz trata-se de "uma mentira histórica e imperialista à escala internacional".

    De acordo com a versão oficial turca, independentistas arménios, com apoio militar russo, tirando partido do envolvimento do debilitado sultanato na I Guerra Mundial, invadiram a Anatólia em 1915 matando cerca de 300.000 soldados otomanos, mas acabaram por ser rechaçados, com baixas em número idêntico às infligidas.

    A Arménia tem uma versão diferente: o genocídio de 1,5 milhões de arménios civis - e não 300.000 militares - foi uma vingança contra o separatismo da então província otomana.

    Por isso, a comunidade arménia nos Estados Unidos - entre a qual há sobreviventes do alegado genocídio - está mobilizada em apoio dos congressistas e aposta, com a bênção do Patriarca Catholicos Karekin II, na aprovação da legislação pela maioria democrata na câmara, onde os republicanos estão em desvantagem.
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