Utentes melhor servidos com obras do Centro de Saúde do Nordeste

O presidente do Governo Regional dos Açores visitou ontem as obras de requalificação do Centro de Saúde do Nordeste, uma obra orçada em um milhão de euros, fazendo a apologia de uma aposta na recuperação dos edifícios existentes, ao invés da construção nova



O presidente do Governo Regional dos Açores fez da obra de requalificação do Centro de Saúde do Nordeste um exemplo do que deve ser a política pública: em vez de se fazer de novo, aproveitar e requalificar o que existe. Foi isso que foi feito naquela infraestrutura, onde o investimento de um milhão de euros permitiu atender às exigências de conservação que o edifício tinha “há largos anos”.
Aos jornalistas, José Manuel Bolieiro afirmou que as patologias identificas foram eliminadas com a intervenção, “mas fizemos mais, porque conseguimos através de uma reabilitação, qualificar este centro de saúde no que diz respeito à sua segurança infraestrutural e também à utilização de soluções amigas do ambiente. Hoje temos melhores condições aqui para prestar cuidados de saúde e para trabalhar”.
Segundo o executivo de coligação PSD/CDS/PPM, a intervenção contemplou a reabilitação estrutural de elementos em betão armado, a correção de patologias construtivas, a recuperação de fachadas e coberturas, a renovação das redes de abastecimento de água e de combate a incêndios e a instalação de novos sistemas de produção e distribuição de águas quentes sanitárias. Foram ainda modernizadas diversas infraestruturas técnicas essenciais e realizadas melhorias em áreas como a Unidade Básica de Urgência, consultas externas, fisioterapia, radiologia e serviços administrativos.
Paralelamente à empreitada promovida pela Direção Regional das Obras Públicas, a Unidade de Saúde da Ilha de São Miguel realizou ainda trabalhos complementares considerados essenciais para potenciar os ganhos da reabilitação efetuada, incluindo a substituição de pavimento vinílico hospitalar em áreas clínicas diferenciadas e a impermeabilização de uma cobertura plana. Foram igualmente mobilizados recursos próprios para intervenções de pintura interior, recuperação de mobiliário, manutenção de equipamentos e pequenas adaptações funcionais dos espaços, sem recurso a contratação externa.
De recordar que, em 2024, o Governo Regional já tinha dotado a infraestrutura com um equipamento de raio-X, no valor de 300 mil euros.
Com 4924 utentes inscritos, o Centro de Saúde do Nordeste conta com uma taxa de cobertura de médico de família de 99,2%.
“O Centro de Saúde do Nordeste, é exemplar: temos quase 100% de cobertura de pessoas com médico de família. Temos condições aqui - agora até vamos procurar duplicar camas para internamento - e vamos ter um apoio da Santa Casa da Misericórdia, face às obras que vamos realizar, para os idosos internados”, acrescentou Bolieiro.
Reabilitar em vez de construir
Para José Manuel Bolieiro, o que foi feito no Nordeste pode e deve ser replicado pelo resto do arquipélago, em várias áreas, não só na saúde, como também na educação. Mas para isso, entende, é preciso que Bruxelas direcione verbas para a área da requalificação, uma pedagogia que o governante pretende fazer.
“Tenho procurado fazer pedagogia neste novo período de programação financeira plurianual da UE, pois muitos apoios - como o PRR, por exemplo - estão focados para a coisa nova. E eu acho que é muito importante a própria Europa - enquanto uma das mais antigas sociedades do mundo e com muita sofisticação em edificados - precisa de ter a possibilidade de ter reabilitação, requalificações e até refuncionalização das existentes”.
Voltando ao exemplo do Nordeste, Bolieiro assinala que “neste edifício, havia espaços que estavam inutilizados há vários anos, porque infiltrações ou falta de qualificação não permitiam a sua utilização”.
“É preciso ter uma estratégia de reabilitação, de requalificação das áreas que estão construídas, são funcionais, precisam de requalificação e, até em alguns casos, de refuncionalização nos espaços internos de cada edificado”, referiu.
Para Bolieiro, é essencial uma mudança de mentalidade, até mesmo política pois reconhece que “a  inauguração de uma obra de reabilitação não tem tanta pompa e circunstância” quanto a de um edifício novo.
“Portanto, temos mesmo que mudar a nossa mentalidade e, em alguns casos, sim olhar criticamente sobre a utilidade de fundos comunitários quando eles esgotam ou fazem exaurir as disponibilidades do orçamento próprio da Região ou da autarquia ou do Estado para estes processos de reabilitação e requalificação”. 

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