Turquia diz que Israel reconheceu genocídio arménio para encobrir "crimes de Gaza"

O Governo da Turquia disse que o reconhecimento por Israel do genocídio arménio de 1915 foi uma "decisão política" visando encobrir os "crimes" do exército israelita contra a população palestiniana na Faixa de Gaza



"O Governo israelita, que persegue sistematicamente o povo palestiniano à vista de todos e que está a ser julgado no Tribunal Internacional de Justiça por genocídio contra a população de Gaza, procura ocultar os seus próprios crimes com a decisão política que adotou em relação aos acontecimentos de 1915", indicou o Ministério dos Negócios Estrangeiros turco em comunicado.

A Turquia, que acusa regularmente Israel de levar a cabo um genocídio na Faixa de Gaza, o que é rejeitado pelo Estado hebreu, rejeita categoricamente o termo "genocídio" para descrever os massacres de arménios no Império Otomano durante a Primeira Guerra Mundial.

O Presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, um acérrimo defensor da causa palestiniana, denuncia frequentemente o "terrorismo" israelita em Gaza.

“A Turquia continuará a trabalhar resolutamente para pôr fim às políticas expansionistas e desestabilizadoras de Israel na região”, acrescentou o Ministério dos Negócios Estrangeiros turco no comunicado.

O Governo israelita aprovou hoje o reconhecimento do genocídio arménio, no meio de tensões crescentes com a Turquia. A medida tem ainda de ser ratificada pelo parlamento.

Estima-se que o número de arménios mortos naqueles massacres perpetrados pelo exército turco se situe entre os 600 mil e os 1,5 milhões.

Mais de trinta países, entre os quais os Estados Unidos, a França, a Alemanha, o Uruguai e a Rússia, reconhecem este genocídio, o que foi recusado por sucessivos governos israelitas, principalmente para preservar as relações com a Turquia, que já foi um dos parceiros estratégicos mais próximos do país na região.


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