Sociedade

Seara de Trigo vai abrir residência para jovens deficientes


 

Carmo Rodeia   Regional   4 de Nov de 2008, 10:04

Seara de Trigo vai construir unidade residencial para portadores de deficiência em terreno cedido pelo Governo Regional. A casa tem capacidade para 12 utentes
A Associação Seara de Trigo vai construir uma unidade residencial para jovens portadores de deficiência. O terreno, com 729 m2, situa-se na Relva e vai ser cedido pelo Governo Regional, cabendo à Instituição Particular de Solidariedade Social a elaboração do projecto e a construção da casa que terá uma capacidade para 12 pessoas, segundo avançou ao AO o presidente da Associação Seara de Trigo.
Embora desconheça ainda os termos da cedência, anunciada ontem na I Série do Jornal Oficial, Mário Jorge Carvalho diz que este será o primeiro passo para a concretização de um projecto “há muito ambicionado” pela instituição.
A cedência do lote em causa, nos Valados, e a implantação do novo equipamento, tem em consideração o programa preliminar produzido pelo Instituto de Acção Social no quadro do regulamento das condições de organização, instalação e funcionamento das estruturas residenciais para pessoas portadoras de deficiência.
Esta casa, cuja construção e gestão ficará a cargo da Associação Seara de Trigo,  virá complementar a oferta já existente nos Açores ao nível do acompanhamento e internamento de jovens e adultos com deficiência. Actualmente existem quatro pequenas unidades residenciais para portadores de deficiência, com alguma autonomia, sem necessidade de supervisão contínua.
O objectivo é melhorar a oferta e, simultaneamente, a qualidade de vida destas pessoas, disse ao AO a directora regional da Solidariedade Social.
O responsável pela Seara de Trigo, Mário Carvalho, diz que esta nova unidade residencial, numa primeira fase irá permitir a disponibilização de um espaço de internamento temporário para “aliviar os pais da pressão do dia a dia”.
No entanto,  admite que, numa segunda fase,  a nova casa possa acolher doentes institucionalizados, alguns deles já utentes das actuais estruturas que a instituição dispõe em Ponta Delgada.
Para Mário Carvalho, é necessário “garantir todas as soluções” que possam concorrer para uma melhoria da qualidade de vida dos utentes e das suas famílias, que “já estão pressionadas no dia a dia pelos seus afazeres”.
Depois da cedência do terreno, o governo espera agora que a Associação Seara de Trigo, em colaboração com o Instituto de Acção Social, desenvolva o projecto para a construção deste lar residencial, cuja entrada em funcionamento está prevista para 2010.
Nessa altura “penso que estaremos em condições de proporcionar aos nossos utentes e a todos os que nos procurem uma ajuda diferente”, concluiu ainda o presidente da Direcção da Associação Seara de Trigo.
 Ponta Delgada passará a dispor da maior oferta neste domínio.


Terreno dado em véspera de eleições
A Associação Seara de Trigo, cujo estatuto de utilidade pública remonta a 1983,  vai eleger os seus novos corpos dirigentes no próximo dia 14. A actual direcção é recandidata mas na Assembleia-Geral onde serão analisados e discutidos, entre outros documentos, o relatório e contas da instituição, a notícia da cedência do lote para a construção da unidade residencial não será ignorada, sobretudo pelos opositores a esta direcção, que admitem avançar com uma lista alternativa.
A instituição, com sede em Ponta Delgada, dá apoio a 70 jovens com idades compreendidas entre os 16 e os 35 anos. Entre técnicos de serviço social, animadores e auxiliares, a equipa dispõe de 34 elementos que procuram diariamente “proporcionar o máximo de ocupação e bem-estar aos utentes”, desenvolvendo ateliers diversos, desde a pintura à música, passando pela jardinagem ou as artes plásticas e de cena.
A instituição propicia ainda, aos seus utentes, o transporte  de e para casa, aliviando assim os pais que não dispõem de meio de transporte ou não têm disponibilidade para deixar os filhos na instituição, que funciona diariamente entre as 8h00 e as 18h00.
Mensalmente, os utentes pagam entre 15 e 110 euros, conforme a capitação familiar, o que só é possível “porque fazemos parte da rede de IPSS”, assegura Mário Carvalho.
A cedência do terreno para a construção de uma unidade residencial vem assim ao encontro de uma pretensão antiga, colmatando uma lacuna da própria instituição: proporcionar aos seus utentes um lar... que pode ser definitivo.

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