Salários milionários dos administradores levam empresas a chumbar teste de boas práticas


 

Lusa/AO online   Economia   20 de Nov de 2012, 14:06

Mais de metade das empresas portuguesas cotadas em Bolsa não cumpre as melhores práticas de organização, sobretudo porque mantém uma disparidade de salários entre administradores e colaboradores, divulgou a Deco, com base num estudo sobre governo das sociedades.

"Em Portugal, continua-se a pagar aos dirigentes o equivalente ao seu peso em ouro", refere a associação na revista Deco Proteste, hoje publicada.

Segundo a mesma fonte, a Portugal Telecom é "o caso extremo", já que, no ano passado, "o salário do presidente executivo [Zeinal Bava] superava em 128 vezes o rendimento médio dos colaboradores do grupo".

O estudo, realizado este mês pela revista, avalia o governo das sociedades com base em três pilares: a transparência das empresas (que inclui a remuneração dos administradores), os direitos dos acionistas e o funcionamento do conselho de administração.

A conclusão da análise aponta ainda a Jerónimo Martins, dona do Pingo Doce, e a Sonae, que detém o Continente, como outras das empresas cuja disparidade de remunerações contribuiu para o 'chumbo' na avaliação.

No caso da Jerónimo Martins, os salários dos administradores representam 104 vezes os dos colaboradores, enquanto o rácio na Sonae é de 72 vezes.

O estudo - que avaliou 374 empresas, 30 das quais cotadas em Bolsa - refere que a avaliação das empresas nestes trâmites "continuam modestos", situando-se, em média, nos cinco pontos de um total de 10.

As melhores cotadas nesta análise foram o Banco Espírito Santo e a Martifer, embora a revista sublinhe que "nenhum satisfaz completamente", enquanto a PT, a REN e o Banco BPI ficaram no fundo da tabela por, "entre outras razões, limitarem o direito de voto dos acionistas".

Galp Energia, Sonae e BES conseguiram melhorar as suas classificações face aos resultados do ano passado, adianta a Deco.

Perante este cenário, a Deco avança com um conjunto de propostas para proteger os investidores, defendendo, por exemplo, que os conselhos de administração devem ser compostos por uma maioria de membros independentes e que as remunerações e prémios devem ser sempre aprovados em assembleia geral de acionistas.


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