“Se alguém aqui acha que a União Europeia, ou a Europa, se conseguiria defender sem os Estados Unidos… Continuem a sonhar. Não conseguem. Não conseguimos. Precisamos uns dos outros”, afirmou Mark Rutte numa audição no Parlamento Europeu.
O secretário-geral da NATO criticou a ideia, defendida por alguns eurodeputados nesta audição, de que se deve desenvolver um pilar europeu de Defesa autónomo, que garantiria a proteção da União Europeia (UE) caso os Estados Unidos se retirem do continente, sugerindo que é irrealista.
“Se quiserem realmente avançar sozinhos, esqueçam, porque nunca chegarão lá com 5% [do PIB destinado a Defesa]. Seriam necessários 10%. Teriam de desenvolver as vossas próprias capacidades nucleares. Isso custa milhares de milhões de euros”, avisou.
Mark Rutte acrescentou que, caso os europeus decidam avançar nesse sentido, acabariam também por perder a sua “garantia máxima de segurança, que é o ‘guarda-chuva’ nuclear dos Estados Unidos”.
“Por isso, bem, boa sorte”, ironizou.
No entanto, Mark Rutte defendeu que os Estados Unidos também precisam da NATO, salientando que o facto de terem ignorado a Europa após a Primeira Guerra Mundial foi “um erro”, que os levou a terem de envolver-se na Segunda Guerra Mundial.
“E o Ártico também é prova disso. Eles precisam de segurança no Ártico, na região do Euro-atlântico e na Europa. Por isso, os Estados Unidos têm tanto interesse na NATO como o Canadá ou os aliados Europeus”, disse.
Rutte rejeitou ainda a ideia de que a atual administração dos Estados Unidos não está comprometida com o artigo 5.º da NATO, que estabelece o princípio da defesa coletiva, referindo que, na última cimeira dos líderes da Aliança, em julho em Haia, ao comprometerem-se com um investimento em Defesa de 5% do PIB, os aliados tiraram a “pedra no sapato” que havia nas relações com Washington.
“O [assunto] irritante desapareceu. Por isso há um compromisso total dos Estados Unidos com a NATO e com o artigo 5.º”, garantiu.
