A Associação Amigos de Antero (AAA), responsável pelas comemorações dos 184 anos, vai também promover a tradicional deposição da coroa de flores, na campa do poeta, no Cemitério de São Joaquim, em Ponta Delgada, na ilha de São Miguel.
A associação refere que “este ano, o ponto assinalado é no lado nascente da igreja Matriz, onde esteve sediada a Loja Férin, pertencente a Benjamim Férin, de ascendência judia, onde se vendia quinquilharia (conforme era designação da época)”.
Naquele local, Antero de Quental, pelas 17h00 do dia 11 de setembro de 1891, “comprou o revólver Lefauchaux, usado para pôr fim à vida, no campo de São Francisco, pelas 20:00”, ficando “assim assinalado mais um ponto do roteiro” que a Associação Amigos de Antero tem vindo a concretizar nos últimos anos.
A AAA decidiu também lançar um concurso de incentivo à participação pública de todos os cidadãos através da publicação de artigos de opinião na imprensa regional e/ou na radiodifusão das 00h00 de 18 de abril às 24h00 de 11 de setembro de 2026.
Antero de Quental publicou um artigo no jornal Açoriano Oriental, com apenas 18 anos, onde “se insurgiu contra as dificuldades verificadas com a construção do porto de Ponta Delgada, incentivando a contratação de engenheiros no exterior perante a incapacidade de soluções a nível local”.
Também o Centro de Estudos Anterianos, em Vila do Conde, vai assinalar a data do nascimento do poeta com uma conferência e uma exposição sobre aquele que é considerado "um dos mais notáveis intelectuais portugueses e referência obrigatória na poesia, no ensaio filosófico e literário, e no jornalismo", mas também "nas lutas pela liberdade de pensamento e pela justiça social”.
“Antero de Quental – um autor global” é o título da conferência que será proferida por Ana Catarina Mesquita, que “oferece uma reflexão sobre a dimensão internacional do seu pensamento, assim como as suas influências e legado no contexto cultural e intelectual mais amplo, redescobrindo a atualidade e a projeção universal da sua obra”.
Já a exposição “Retratos de Antero” é a uma “pequena mostra documental em torno de um conjunto de representações de Antero de Quental feitas por alguns dos mais importantes pintores, desenhadores e escultores portugueses”, segundo o Centro de Estudos Anterianos.
Ambos os eventos têm lugar na Casa Antero de Quental, em Vila do Conde, no distrito do Porto, imóvel adquirido e restaurado pela Câmara Municipal, inaugurada em 2013, e que serviu de residência ao escritor entre os anos de 1881 e 1891.
Antero de Quental foi líder da denominada Geração de 70, grupo a que pertenciam Camilo Castelo Branco, Eça de Queiroz, Guerra Junqueiro, Augusto Soromenho, entre outros.
