Ermida ganha nova cara em ação solidária que junta comunidade

A Ermida de São Brás, também conhecida por Santa Luzia, esteve em obras na última semana, fruto de uma ação de voluntariado dos trabalhadores do banco BPI, a que a comunidade aderiu



Quis o destino que, um certo dia, Pedro Anglin fizesse uma pequena mudança no percurso que faz, diariamente, a caminho do trabalho. Em vez de tomar a rua Manuel da Ponte para chegar ao Centro de Empresas do banco BPI, situado defronte à igreja Matriz, decidiu seguir pela rua Machado dos Santos. E foi nesse dia que, olhando para a sua esquerda, se apercebeu do estado de conservação da Ermida de São Brás - também conhecida por Santa Luzia. E soube: “Porque não sugerir fazer uma intervenção?”.

Apoiado no programa de voluntariado da instituição bancária, que ajudou nos custos, Anglin angariou os colegas no Centro de Empresas, a que se juntaram os do balcão da Ribeira Grande. E durante alguns dias, foi altura de meter “as mãos à massa”: de lixa e trincha na mão, os trabalhadores bancários entregaram-se à recuperação da fachada.

“Para meu espanto, as colegas prontamente aderiram, começaram a lixar as madeiras e uma delas até subiu uma escada para colocar jornais, para proteger as ombreiras da porta da ermida, pois eu e a maior parte dos homens que participaram na ação passa mal nas alturas (risos)”.

Portas, paredes e fechaduras: a ermida sofreu uma intervenção que não passou despercebida às muitas pessoas que passam naquela rua, que elogiaram a “nova cara” da Ermida, um local muito apreciado por locais e turistas, que não se coíbem de tirar fotografias sempre que passam na rua.

A ação de voluntariado ganhou tração na comunidade, com os diversos comerciantes da rua Machado dos Santos a expressar a sua vontade de colaborar com a ideia de construir uma imagem do padroeiro (São Brás) em pedra, para colocar no nicho por cima da porta, partilha Pedro Anglin.
A iniciativa na Ermida de São Brás faz parte da filosofia do banco, com ações de voluntariado, explica a diretora do Centro de Empresas.

Em declarações ao jornal, Raquel Rodrigues explica que o BPI, “no que respeita à parte social, tem um compromisso forte com as instituições sociais, com um compromisso de devolver à sociedade uma parte dos lucros que gera”.

Além do programa de voluntariado, o banco tem outras ações sociais, algumas em curso na Região, “como o Proinfância, na Câmara Municipal de Ponta Delgada, que apoia crianças, jovens e agregados familiares em situação de vulnerabilidade e este ano chegou às 40 famílias; o Programa de Apoio Integral a Pessoas com Doenças Avançadas “Humaniza, noHospital do Divino Espírito Santo; ou o programa Incorpora, destinado a jovens NEET (não estudam, nem trabalham)  com o Governo Regional dos Açores”, assinala a diretora do Centro de Empresas. 

Paróquia feliz por gesto da comunidade

A intervenção dos voluntários do banco BPI na Ermida de São Brás - popularmente conhecida como de Santa Luzia - foi muito bem recebida pela paróquia que, explica o cónego Adriano Borges, “está muito concentrada em resolver os muitos problemas existentes na Igreja Matriz de Ponta Delgada”.

O pároco refere que a ermida encontra-se fechada por precaução e segurança, pois há poucos meses o teto caiu junto ao altar. “A Junta de Freguesia de São Sebastião está a envidar esforços para conseguir arranjar o teto. Fico muito feliz pela intervenção do banco”.

O cónego Adriano Borges esclarece que o titular da ermida é São Brás, “mas de há muitos anos a esta parte é conhecida como Santa Luzia. Há uma grande devoção a esta santa, com a paróquia a receber muitos donativos em honra de Santa Luzia, de pessoas da freguesia e de vários pontos da ilha”.


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