Região sem quantificar quantos turistas capta com presença na BTL

Governo reconhece que não dispõe de qualquer metodologia para calcular o custo por turista captado, nem consegue estimar o número de visitantes que escolhem o destino em resultado direto da presença na BTL



O Governo Regional dos Açores reconhece que não dispõe de qualquer metodologia para calcular o custo por turista captado na Better Tourism Lisbon Travel Market (BTL), nem consegue estimar o número de visitantes que escolhem o destino em resultado direto da presença no evento.

Num requerimento assinado pelos cinco deputados do Chega, o Executivo foi questionado sobre contactos comerciais, visitantes, retorno económico, custos acumulados e métricas de impacto da participação dos Açores na BTL.

Na resposta enviada à Assembleia Legislativa, o Governo afirma ser “impossível haver uma estimativa técnica” que permita quantificar turistas captados especificamente em resultado da participação na edição de 2026 da feira, justificando que se trata de uma ação de promoção e não de comercialização direta.

“A participação numa feira de turismo não constitui uma ação de comercialização direta nem permite estabelecer uma relação motivadora imediata e exclusiva entre a presença no evento e a decisão de viagem de um determinado turista. Assim sendo, é impossível haver uma estimativa técnica que permita quantificar o número de turistas captados especificamente em resultado da participação dos Açores na BTL 2026”, explica o executivo regional.

Segundo dados transmitidos pela Visit Azores, que correspondem aos valores suportados por esta entidade, o custo total da participação dos Açores na BTL oscilou entre 225.608 euros (2022) e 972.729 euros (2024), ano em que a Região foi “Destino Convidado” da feira, “conduzindo a uma decisão estratégica de reforço do investimento promocional nesse ano”.

Em 2025, o investimento manteve-se em patamar elevado, atingindo 759.087 euros, com o stand a representar 551.700 euros e a inscrição 201.348 euros, valores que reforçam o peso financeiro da presença física da marca Açores no certame.

Este ano, e de acordo com o requerimento do Chega, o investimento foi superior a um milhão de euros. “Considerando que, de acordo com a informação publicada, a referida operação, identificada com o código ACORES2030-FEDER-02627800, apresenta um custo elegível de 1.010.612,62 euros, com um apoio financeiro da União Europeia de 859.020,73 euros, correspondendo a uma taxa de cofinanciamento de 85% ao abrigo do programa Açores 2030”, escreve  Chega.

Durante a edição de 2026 da Better Tourism Lisbon Travel Market, o Governo indica que foram estabelecidos cerca de 80 contactos comerciais com potenciais parceiros durante os dias reservados a profissionais, acrescentando ainda contactos realizados pelas cerca de 40 empresas regionais presentes no stand.

No mesmo documento, o Executivo refere que o stand dos Açores recebeu 15.700 visitantes ao longo dos cinco dias da feira, o que corresponderá a uma afluência de aproximadamente 18,5% face aos cerca de 85 mil visitantes registados na BTL 2026, números usados como indicadores de visibilidade, mas não de conversão turística.

Em resposta sobre o “retorno económico” diretamente associado à participação na BTL, o Governo remete para o relatório final da operação de promoção da Visit Azores, que destaca sobretudo indicadores de comunicação: 156 peças mediáticas, um valor mediático estimado de 189 mil euros em equivalência publicitária e mais de 600 mil visualizações de conteúdos digitais ligados ao evento.

Para o executivo regional, “estes indicadores demonstram a capacidade da operação de gerar visibilidade, exposição mediática e contacto direto com potenciais visitantes, profissionais do setor, operadores turísticos e meios de comunicação social, contribuindo para o reforço da notoriedade e competitividade do destino Açores e respetivo retorno”.
Questionado sobre o custo por turista captado, o Governo admite não existir qualquer metodologia que estabeleça uma relação direta e exclusiva entre a participação na BTL e a decisão individual de viagem, reiterando que não consegue quantificar esse indicador.

“Não é possível determinar um custo por turista captado, uma vez que não existe uma metodologia que permita estabelecer uma relação direta e exclusiva entre a participação na BTL e a decisão individual de viagem de um turista”, reitera.

Já questionado sobre a decisão de participar na BTL 2026, o executivo regional destaca que “é a principal feira de turismo realizada em Portugal, contando com a participação do Turismo de Portugal, das Entidades Regionais de Turismo, das Agências Regionais de Promoção Turística e dos principais operadores do setor”.  

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