Rede nacional de emergência infantil travaria deliquência juvenil

Rede nacional de emergência infantil travaria  deliquência juvenil

 

Lusa/AO Online   Nacional   28 de Dez de 2009, 07:29

O director do centro de acolhimento de crianças e jovens Refúgio Aboím Ascensão defende que a criação de um serviço nacional de emergência infantil ajudaria a travar o aumento da delinquência juvenil e do absentismo escolar em Portugal.

Segundo Luís Villas-Boas, a ideia de criação de uma rede nacional de instituições análogas à que dirige - tuteladas pela Segurança Social e com relações com os tribunais e hospitais -, tem sido “bem acolhida” pelo Governo.

“Se houvesse um conjunto de instituições análogas ao Refúgio Aboím Ascensão, baseadas num modelo preventivo do desvio comportamental, em poucos anos haveria muito menos delinquência juvenil”, defendeu Luís Villas-Boas.

De acordo com o psicólogo, se as crianças em situação de risco fossem “agarradas” mais cedo “em poucos anos deixaria de haver delinquência aos 12 ou 13 anos”, já que, diz, por vezes quando as crianças chegam às instituições “já é tarde demais”.

Em declarações à agência Lusa, o director daquela instituição disse que a implementação de uma rede nacional de instituições de acolhimento temporário para crianças poderia também contribuir para aumentar o número de adopções.

Segundo dados da Segurança Social, no final de Novembro de 2009 estavam registadas nas listas nacionais de adopção 561 crianças, estando, na mesma data, 567 crianças integradas em famílias em situação de pré-adopção e 55 em vias de ser integradas.

Só no Algarve, estavam em Dezembro deste ano inscritas nas listas do serviço de adopções 84 candidaturas, mas há processos que se arrastam durante anos, sobretudo porque os casais procuram na maioria das vezes crianças com poucos anos de idade.

“Os tempos de espera variam entre cinco a seis anos para uma criança até um ano de idade, sem patologias ou deficiências”, disse à Lusa fonte do Instituto da Segurança Social, acrescentando que os processos podem durar apenas um mês com crianças entre os 10 e os 12 anos.

Se for um grupo de irmãos que não podem ser separados ou uma criança mais pequena mas com patologias ou alguma deficiência, o tempo de espera que os casais têm que cumprir até à adopção também diminui substancialmente.

“Estas crianças podem ficar anos em listas de espera sem encontrar candidatos que as queiram adoptar”, refere a mesma fonte, frisando que o tempo médio de espera é uma variável “que não tem significado em matéria de adopção”.

O Refúgio Aboím Ascensão, com capacidade para acolher 95 crianças até aos cinco anos, é uma das maiores instituições de acolhimento temporário de crianças do país e foi reconhecida em 1998 como um organismo com capacidade para intervir no âmbito da adopção.

“O nosso objectivo é dar à criança uma família e não dar à família uma criança”, diz Villas-Boas, acrescentando que as crianças só devem ser encaminhadas para adopção quando se esgotam todas as hipóteses de reintegração na família biológica.


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