Segundo um comunicado da diocese, o Conselho Presbiteral, que esteve reunido em Angra do Heroísmo, na ilha Terceira, “deliberou que o destino da Renúncia Quaresmal deste ano seja entregue à Caritas Diocesana de Leiria para fazer face às consequências dos estragos causados pelas recentes intempéries”.
Entretanto, dada a situação existente na diocese de Leiria, a congénere de Angra “irá antecipar já uma verba de 40 mil euros para fazer face à ajuda de emergência” e apoiar as vítimas da tempestade Kristin.
“A decisão, apoiada pelo Conselho Presbiteral na sessão plenária que terminou esta terça-feira em Angra do Heroísmo, será agora formalizada para que a ajuda possa chegar sem demora às necessidades mais urgentes no terreno”, adiantou o sítio Igreja Açores.
Com a antecipação desta verba, a diocese açoriana “pretende tornar mais rápida e eficaz a resposta solidária, não esperando pela recolha integral das ofertas quaresmais”.
Os membros do Conselho Presbiteral “manifestaram consenso quanto à importância de transformar a renúncia quaresmal num apoio real e imediato, sublinhando que a caridade é dimensão essencial da missão da Igreja e expressão da partilha fraterna em tempos de sofrimento”.
A verba “será canalizada através da Cáritas de Leiria, entidade que está a acompanhar diretamente as situações de emergência e reconstrução, procurando dar resposta às múltiplas necessidades sociais que continuam a surgir após a passagem da tempestade”.
A Cáritas Diocesana dos Açores anunciou também hoje o “envio imediato de 10 mil euros à Cáritas de Leiria, num gesto de solidariedade face à grave situação vivida naquele concelho”.
“Apesar de existirem outros territórios igualmente afetados pelos fenómenos climáticos extremos, Leiria foi identificada como uma das dioceses que, neste momento, enfrenta maiores dificuldades”, afirmou a presidente da Cáritas Diocesana de Angra e responsável pela Cáritas dos Açores, Anabela Borba, em declarações ao sítio Igreja Açores.
A 49.ª Sessão Plenária do Conselho Presbiteral da Diocese de Angra debateu também a necessidade de reorganizar o território diocesano para responder aos desafios atuais da Igreja.
“A reflexão apontou para a consolidação das Unidades Pastorais e o reforço de estruturas de comunhão capazes de enfrentar as condicionantes geográficas do arquipélago e a progressiva diminuição demográfica”, adiantou a diocese.
A reorganização territorial “foi entendida não apenas como ajuste administrativo, mas como oportunidade para criar comunidades mais vivas e corresponsáveis”.
“A aposta passa por valorizar os ministérios laicais, investir na formação contínua e favorecer uma liderança presbiteral capaz de animar equipas e suscitar participação”, acrescentou.
As dificuldades levantadas pela escassez e distribuição do clero, bem como pelas nomeações para ilhas de menor dimensão, também estiveram presentes no debate.
Nas deliberações finais, os conselheiros deram, ainda, parecer favorável à trasladação dos restos mortais para Timor de Dom Jaime Garcia Goulart, primeiro Bispo de Díli, a pedido da Conferência Episcopal Timorense, do Governo e Presidência da República daquele país.
