“O que vi e ouvi hoje é diferente de qualquer reunião da NATO em que tenha participado, e estive em muitas desde 2010”, afirmou Rutte no final da reunião de ministros da Defesa dos aliados em Bruxelas.
Rutte disse que todos os Estados-membros coincidiram na urgência e necessidade de garantir uma dissuasão efetiva, o que requer “uma defesa europeia muito mais forte”.
Assinalou “um notável progresso” no caminho para que a NATO “se mantenha forte” e para que “a responsabilidade da segurança coletiva se partilhe equitativamente”.
“Uma mudança real de mentalidade. Uma unidade de visão. Uma defesa europeia muito mais forte dentro da NATO. Todos ao redor da mesa comprometidos”, afirmou, citado pela agência de notícias espanhola Europa Press (EP).
Segundo o antigo primeiro-ministro dos Países Baixos, os 32 Estados-membros coincidiram no “sentido de urgência” e na importância de trabalhar em conjunto para “manter a salvo os seus mil milhões de cidadãos”.
Rutte disse que os aliados assumiram “compromissos claros” para alcançar os objetivos de capacidade, e estavam a trabalhar para “assegurar a preparação” no caso de um combate.
“Isso exige investir muito mais, e estão a fazer precisamente isso”, afirmou, durante uma conferência de imprensa na sede da NATO.
O chefe político da NATO deu o exemplo da Dinamarca, Estónia, Letónia, Lituânia e Polónia, que já fizeram “aumentos importantes” dos gastos em defesa.
Referiu também a Alemanha, que “está a caminho de duplicar o investimento” de há apenas alguns anos.
O desafio mais premente, segundo Rutte, é que “o aumento da procura seja satisfeito com um aumento da oferta” em termos de armamento.
Para isso, necessita-se rapidamente de mais defesa aérea, mais munições e mais cadeias de fornecimento em toda a Aliança que produzam armamento “em ambos os lados do Atlântico”, defendeu.
Questionado sobre as lições da crise recente com as pretensões norte-americanas em relação ao território autónomo dinamarquês da Gronelândia, Rutte respondeu que a NATO “é uma coligação de democracias”, pelo que encontra vias de canalizar os conflitos.
Os 32 membros da Aliança têm políticos de distintos perfis, “de centro-direita e de centro-esquerda”, todos eles “eleitos em plena soberania pelas suas populações nacionais”, pelo que é normal que haja “debates e discussões” dentro da organização, referiu.
“Seria muito aborrecido se não fosse assim. E já o vimos no passado. Houve debates enormes nos anos 60, 70 e 80, inclusive recentemente. Portanto, não me preocupa”, disse o chefe da NATO.
Rutte disse que a NATO “encontra sempre a maneira de avançar unida” e de voltar “a focar-se no objetivo geral” para que foi criada em 1949.
“Manter mil milhões de pessoas a salvo sob o Artigo 5.º do Tratado de Washington: um ataque contra um é um ataque contra todos”, precisou.
Insistiu que da crise sobre a Groenlândia – ultrapassada com um acordo entre Rutte e o Presidente norte-americano, Donald Trump, que incluiu o lançamento da missão “Sentinela do Ártico” - resultou uma mudança de mentalidade.
“Os países estão conscientes de que nunca nos vamos separar. Sempre permaneceremos juntos. América do Norte, Canadá, Estados Unidos, os países europeus da NATO, sempre unidos”, afirmou.
“Mas os europeus assumindo mais responsabilidade na defesa desta parte da Aliança, o que implica, efetivamente, gastar mais”, acrescentou o chefe da NATO.
