“Temos denunciado às autoridades situações que encontramos no terreno, desde Pampilhosa da Serra a Abrantes e até na Serra da Gardunha”, disse Samuel Infante, dirigente da Quercurs em Castelo Branco.
“A substituição é ilegal, os eucaliptos ardem com mais facilidade em caso de incêndio e nem são as espécies mais viáveis”, acrescentou.
Samuel Infante lamentou que os proprietários não apostem na reflorestação com espécies autóctones, “que até são apoiadas pelo Estado”, como o sobreiro, azinheira ou castanheiros, pois “uma floresta diversificada é mais resistente aos fogos".
"Mas parece que não aprendemos a lição”, lamentou.
No entanto, a maioria da área ardida há cinco anos “está abandonada”, longe da reflorestação ideal, mas sobre a qual não havia grandes expectativas.
“A maioria dos terrenos ardidos está abandonada e onde há regeneração natural tem havido muito pouco ordenamento”, alertou Samuel Infante, segundo o qual “não houve mudança de mentalidade do proprietário florestal e prevalece o regime de propriedades de pequena dimensão. Ou seja, não há interesse pela floresta”.
“Também não tínhamos expectativas muito altas, porque estas reformas levam 10 a 20 anos até que haja resultados visíveis”, frisou.
A constituição de Zonas de Intervenção Florestal, para unificar as pequenas parcelas de terreno sob a mesma gestão, é a solução, mas Samuel Infante pede “simplificação” do processo administrativo e uma atitude “mais proactiva relativamente à união de propriedades”.
Os incêndios registados em 2003 destruíram mais de 424 mil hectares e provocaram 20 mortos em todo o país.
O distrito de Castelo Branco foi o mais afectado, com 90 mil hectares de mato e floresta destruídos e 40 casas de habitação permanente queimadas.
Ambiente
Quercus alerta para "plantação ilegal" de eucaplitos em zonas ardidas
Zonas de pinhal destruídas nos grandes incêndios de há cinco anos no distrito de Castelo Branco estão a ser "ilegalmente substituídas por eucaliptos", alertou um dirigente da Quercus em declarações à Agência Lusa.
Autor: Lusa/AO online
