PSP escolhe Governo como alvo de protesto

PSP escolhe Governo como alvo de protesto

 

Lusa / AO online   Nacional   1 de Out de 2007, 22:03

O Governo foi o principal alvo do discurso de encerramento da manifestação de polícias em Lisboa, sendo o nome do primeiro-ministro o mais pronunciado pelos manifestantes durante o desfile no Parque das Nações.
“Sócrates escuta, os polícias estão em luta!" - foi a palavra de ordem mais ouvida durante a hora que durou o desfile, realizado naquela zona da capital por ser nas proximidades do local onde decorre, hoje e terça-feira, uma reunião informal de ministros da Justiça e da Administração Interna da União Europeia.

Quando o presidente do sindicato que organizou o desfile, a Associação Sindical dos Profissionais da Polícia (ASPP), fez o principal discurso no final da manifestação, o Executivo socialista foi o alvo de todas as críticas.

“Se este Governo fosse tão rápido a resolver ou a encontrar soluções com vista a resolver os nossos problemas, como o foi a cortar os nosso direitos como medida economicista, teríamos hoje, com toda a certeza, uma polícia a funcionar a cem por cento”, disse Paulo Rodrigues no discurso que leu junto à Gare do Oriente.

Antes, os polícias quase enrouqueceram a gritar “mentiroso, mentiroso”, sem revelar o nome do visado mas deixando entender o destinatário do insulto, antes de cantarem o Hino Nacional.

No final, Paulo Rodrigues disse aos jornalistas estar convencido que, depois desta manifestação, o ministro da Administração Interna, que tutela a PSP, “vai mudar de política” em relação à polícia.

O líder da ASPP disse estar mais confiante na capacidade de diálogo de Rui Pereira do que na do seu antecessor, António Costa.

Caso, não altere a postura, uma Assembleia Geral do sindicato a realizar em Novembro “definirá o que se vai fazer a seguir”.

Do seu discurso, salientou-se a acusação de que os polícias continuam a ser “mão-de-obra barata” para o Governo, justificando assim que seja “complicado” conseguir quem se queira alistar na PSP para “arriscar a vida” diariamente por 700 euros.

Os cortes do subsistema de saúde e o aumento dos anos de trabalho até atingir a reforma voltaram a ser outros pontos impostos pelo Governo que os polícias recusam aceitar.

Factor inédito da iniciativa da ASPP foi o número de participantes na acção.

Habitualmente, os números da polícia costumam ser bastantes inferiores aos dos organizadores. Hoje, inverteu-se a situação: o líder da ASPP calculava em 1.500 os participantes vindos de todo o País mas, a meio do percurso, um oficial da PSP que coordenava os polícias que acompanhavam a manifestação dos colegas estimou á Lusa que os manifestantes deveriam atingir os 2.500.

Além de outros três sindicatos da PSP - Sindicato dos Profissionais de Polícia (SPP), Sindicato Nacional da Polícia (SINAPOL) e Sindicato Independente dos Agentes de Polícia (SIAP) - os polícias receberam ainda a solidariedade das estruturas sindicais representativas dos magistrados do Ministério Público, Polícia Judiciária, Serviço de Estrangeiros e Fronteiras e Guarda Prisional, bem como associações representativas da GNR, dos sargentos e da Polícia Marítima.

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