Provedor Santa Casa de Angra denuncia "tentativa de esvaziar papel das misericórdias no apoio a idosos"


 

Lusa   Regional   27 de Out de 2007, 11:38

O provedor da Santa Casa da Misericórdia de Angra do Heroísmo, António Marcos, acusou sexta-feira a Associação Nacional de Municípios Portugueses de “pressionar para que as autarquias absorvam serviços prestados pelas misericórdias”.
Em declarações à Lusa, no decurso dos trabalhos do IX Congresso Insular das Misericórdias dos Açores e Madeira, António Marcos sustentou que “existe a tentativa de esvaziar o papel das misericórdias no apoio aos idosos e apoios domiciliários”.
“Temos sido confrontados com posições da ANMP, em que muitos dos municípios seus associados têm criado empresas municipais para complementarem o que as autarquias já não têm capacidade financeira para fazerem”, acrescentou.
António Marcos realça o facto de as misericórdias “terem de procurar fontes de receita, como as farmácias, por exemplo, porque o governo apoia os custos dos funcionários e regulamenta as prestações dos idosos às misericórdias”.
“Na região, os idosos pagam às misericórdias 80 por cento do valor da sua reforma, enquanto o governo financia, através de acordos de cooperação, o pagamento dos funcionários num valor sempre abaixo da inflaçãom cabendo às misericórdias a responsabilidade do restante”, disse.
Segundo António Marcos, “ano após ano nesta situação, as misericórdias estão cada vez mais com a corda ao pescoço”.
Por seu turno, Luís Delgado, do Secretariado Regional das Misericórdias da Região Autónoma da Madeira, não tem dúvidas em afirmar que “hoje a caridade custa dinheiro”.
“O Estado não paga o internamento dos idosos e as pessoas têm de entender isto”, acrescentou.
Luís Delgado sublinha que “actualmente desapareceu o conceito do apoio da família aos seus idosos, vendo-se estes muitas vezes abandonados por muitos que emigram e outros que se esquecem de os visitar e com eles conviver”.
“As misericórdias não são depósitos de idosos mas locais que procuram fornecer um final de vida com o máximo de qualidade e alguma alegria, tanto quanto possível”, acrescentou.
Luís Delgado preconiza uma organização das misericórdias em lóbi de forma a defender “as aquisições, a formação e o património”.
“Os governos estão sem dinheiro, sem capacidade financeira para apoiar”, “sem tostão para mandar cantar um cego”, frisou.
Como exemplo das acções do Estado referiu “o encerramento das maternidades” que mais não é, sustentou, que “passar para os privados responsabilidades que ele [Estado] não consegue suportar”.
Nesse sentido, defendeu um “maior apoio às misericórdias”, alegando que “existem para garantir uma assistência eficaz e de qualidade nos serviços suplementares e complementares que o governo não quer suportar”.
Nos Açores, as 23 misericórdias em serviço na região apoiam cerca de um milhar de idosos e, na Madeira, as cinco misericórdias dão apoio a 250 idosos.
O IX Congresso das Misericórdias Insulares reúne cerca de 150 participantes das duas regiões autónomas, que decorre até Sábado em Angra do Heroísmo, para debaterem “Melhor Qualidade-Melhor Solidariedade” e "Qualidade e Certificação das Respostas Sociais - Modernidade e Boas Práticas”.
Os trabalhos tiveram início com uma conferência sobre “Misericórdias e Espiritualidade” e encerram com a conferência “Envelhecimento e Cidadania - Um desafio para as instituições”.
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