Proteína de lagarta eficaz para combater vírus do sarampo e gripe A

Proteína de lagarta eficaz para combater vírus do sarampo e gripe A

 

Lusa/AO online   Ciência   25 de Out de 2013, 18:24

Uma proteína extraída de uma lagarta revelou-se eficaz para combater os vírus do sarampo e da gripe A (H1N1), segundo investigadores brasileiros do Instituto Butantan.

Os investigadores identificaram na hemolinfa (sangue) da lagarta substâncias com alta potencialidade para combater os vírus, segundo um comunicado Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), que financiou o estudo.

"Ainda não sabemos exatamente a composição química dessa substância, mas ela já demonstrou ter um grande potencial: reduziu em duas mil vezes a replicação do picornavírus (um parente do vírus da poliomielite) e em 750 vezes a do vírus do sarampo, além de ter neutralizado o H1N1", garantiu o virólogo Ronaldo Zucatelli Mendonça, citado na nota da Fapesp.

O investigador admitiu que os dados são preliminares, mas estimou que no final do trabalho será possível descobrir um poder de combate ainda maior.

A proteína identificada pelos cientistas foi extraída de uma lagarta da família dos insetos megalopygidae.

Segundo o especialista, diferentes estudos demonstraram que as substâncias presentes na hemolinfa dos insetos têm ação efetiva contra micro-organismos como vírus, bactérias e fungos.

Os profissionais do Instituto Butantan já tinham identificado uma proteína da Lonomia obliqua, uma lagarta da família Saturniidae, que, em testes de laboratório, mostrou ser capaz de reduzir em um milhão de vezes a replicação do vírus da herpes e em dez mil vezes a do vírus da rubéola.

Ambas as proteínas, segundo a pesquisa, demonstraram ter uma ação efetiva contra os vírus e serem capazes de promover a morte de células invasoras ou danificadas.

Esta última propriedade também as transforma em candidatas a matéria-prima para remédios contra o cancro, de acordo com a Fapesp.

Os investigadores brasileiros já desenvolveram métodos para obter as proteínas em laboratório mediante técnicas genéticas que aumentam a escala de produção e simplificam o processo.

"O aproveitamento das substâncias na indústria ainda precisam de verificação de que as substancias são seguras e eficazes uma vez que o processo é viável economicamente", assegura o investigador.

As lagartas estudadas no Instituto Butantan são venenosas e ameaçam a saúde humana porque os seus pelo produzem um veneno que pode provocar a morte.

A instituição usa-as para obter o veneno a partir do qual produz soro para as queimaduras.


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