PPM defende urgência de dotar Açores dos meios para projeção atlântica

O deputado único do PPM no Parlamento dos Açores, João Mendonça, defendeu que “é urgente dotar os Açores dos meios necessários para projetar e afirmar Portugal neste vasto espaço atlântico”



“O Atlântico português exige, nos Açores, mais meios, mais recursos e mais presença. Num momento em que se assiste, por todo o mundo, ao regresso de uma luta desenfreada pelo controlo de posições estratégicas, deixar desguarnecido o Atlântico português é de vistas curtas”, afirmou João Mendonça.

O parlamentar falava na sessão solene evocativa dos 50 anos da Autonomia, promovidas pela Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores (ALRAA), na sede do parlamento açoriano, na Horta, ilha do Faial.

Na sua intervenção, o parlamentar do PPM/Açores afirmou que a “autonomia trouxe esse novo mundo para os Açores”.

“De repente, a modernidade, as coisas da América e de Lisboa, chegaram aos nossos lares. Deixou de ser necessário partir”, assinalou, acrescentando que “a história não é apenas memória”, pois “é responsabilidade”, obrigando “a olhar em frente”.

Nesse sentido, defendeu que “é urgente dotar os Açores dos meios necessários" neste vasto espaço atlântico.

“Temos de o fazer quanto antes. A cada dia, a cada mês, a cada ano, projetam-se sobre nós, cada vez mais próximas, as sombras negras da cobiça alheia. Outros veem aqui o que Lisboa tarda em ver”, sustentou João Mendonça.

O deputado apontou ainda como “outro grande desafio da autonomia” a “manutenção da unidade das ilhas que formam os Açores”.

Referindo-se à história do Corvo, João Mendonça recordou que a mais pequena ilha açoriana ficou, em 1479, fora do conjunto então designado por “ilhas dos Açores”, apesar de hoje integrar a Região Autónoma.

"O outro grande desafio da nossa autonomia é a manutenção da unidade das ilhas que formam os Açores. Fala-vos um açoriano do Corvo, uma ilha que, em 1479, no Tratado de Alcáçovas, ficou fora do conjunto então designado por 'ilhas dos Açores'. A fórmula diplomática usada reconhecia como pertencentes à Coroa portuguesa 'todas as ilhas dos Açores e ilhas das Flores'", recordou.

No seu discurso, o deputado do PPM/Açores assinalou a identidade histórica e cultural açoriana, realçando o papel da devoção ao Espírito Santo.

"Somos hoje o que a história, o destino e a providência nos destinaram a ser. Uns Açores unos. Antes de as leis dos homens consagrarem a nossa unidade política, a devoção ao Espírito Santo já nos fizera Povo. O Povo do Espírito Santo", sublinhou.

João Mendonça apelou ainda à coesão regional, à unidade e à resiliência.

"Manter a unidade das ilhas e do povo açoriano é o que peço e grito. Manter unido o que o Divino Espírito Santo uniu. A nossa unidade, a nossa resiliência e o nosso patriotismo garantem que as bandeiras dos Açores e de Portugal continuarão aqui a ondular, lado a lado — não apenas por mais 50 anos, mas pelos séculos dos séculos", vincou o deputado do PPM/Açores.


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O caso noticiado pelo jornal Açoriano Oriental na passada terça-feira foi hoje esclarecido pela Polícia Judiciária: o homem que deu entrada no Hospital do Divino Espírito Santo com ferimentos numa perna devido a um tiro de caçadeira foi quem disparou a arma