“A autonomia foi uma conquista do povo açoriano. E, por isso, não pertence aos governos. Não pertence aos partidos. Não pertence aos presidentes. Não pertence aos deputados. A autonomia pertence ao povo”, sustentou o também líder do grupo parlamentar do Chega na Assembleia Legislativa Regional.
José Pacheco discursava na Assembleia Legislativa dos Açores, na Horta, na ilha do Faial, na sessão que assinala os 50 anos da sua reunião inaugural, com a presença de José Pedro Aguiar-Branco, presidente da Assembleia da República.
Apontando como protagonistas da autonomia os agricultores, pescadores, trabalhadores, idosos e jovens açorianos, José Pacheco considerou que as comemorações do cinquentenário da autonomia deveriam ter tido uma maior participação popular.
“Por isso, há algo nestas comemorações dos 50 anos que me custa compreender. Como é possível celebrar 50 anos de autonomia e esquecer precisamente o seu legítimo proprietário: o povo dos Açores?”, perguntou.
José Pacheco questionou, por outro lado, a realização de cerimónias centradas em "presidentes, antigos presidentes, governantes, políticos e personalidades”.
“Mas pergunto: E o povo?”, afirmou, perguntando ainda “onde estavam aqueles que trabalham todos os dias”.
“Onde estavam aqueles que nunca tiveram um cargo, nunca tiveram um gabinete, nunca receberam um convite para uma cerimónia oficial, mas trabalharam uma vida inteira pelos Açores?”, questionou também o líder parlamentar do Chega/Açores, reforçando que a autonomia "não nasceu nos salões. Nasceu no povo”.
E, acrescentou: “não podemos aceitar uma autonomia fechada entre paredes, protocolos e elites, enquanto o povo fica à porta.”
Reconhecendo que os Açores mudaram ao longo dos últimos 50 anos, José Pacheco disse que a democracia regional “está saudável”, mas alertou para problemas que ainda substituem na Região, apontando a saída dos jovens, as dificuldades de acesso à habitação, “os meses” de espera por uma consulta, a perda de poder de compra das famílias e a dependência “de outros para sobreviver”.
“Por isso, celebrar 50 anos de autonomia também exige coragem para reconhecer aquilo que ainda está mal”, sublinhou.
Para os próximos 50 anos, José Pacheco reivindicou uma autonomia "com mais responsabilidade", que "crie riqueza, que fixe os jovens, que apoie quem trabalha, que proteja as famílias, que respeite o dinheiro dos contribuintes".
"Acima de tudo, precisamos de uma autonomia que volte para onde sempre deveria ter estado: Junto do povo", disse.
Para José Pacheco, "agora é a nossa vez de conquistar os próximos 50. Com menos dependência. Com menos acomodação. Com mais responsabilidade. Com mais coragem".
"Os Açores são adultos! Não precisamos de tutelas políticas desnecessárias. Sabemos respeitar a Constituição. Sabemos assumir as nossas responsabilidades. E, sabemos decidir o nosso futuro", afirmou ainda o líder parlamentar do Chega/Açores.
