Metadona passará a ser administrada na USISM

Governo Regional confirma mudança de modelo de prestação de cuidados para os tratamentos de substituição de opiáceos na ilha de São Miguel, que será integrado progressivamente no Serviço Regional de Saúde, em articulação com a Unidade de Saúde de Ilha e com a Direção Regional de Prevenção e Combate às Dependências



O Governo Regional dos Açores prepara-se para “progressivamente” integrar a toma de metadona na ilha de São Miguel no Serviço Regional de Saúde. Aresposta foi dada ao requerimento apresentado pelo Bloco de Esquerda/Açores, despoletado pela suspensão deste serviço, aos fins de semana, pela Associação Arrisca.

O segundo requerimento que os bloquistas apresentam sobre o assunto procurou trazer mais esclarecimentos sobre o que o executivo de coligação PSD/CDS/PPM prevê fazer sobre o modelo de prestação de cuidados para os tratamentos de substituição opiácea na maior ilha do arquipélago.

Sobre isto, o governo açoriano explica que o modelo já está definido: “integração progressiva desta resposta no Serviço Regional de Saúde, em articulação com a Unidade de Saúde de Ilha de São Miguel e com a Direção Regional de Prevenção e Combate às Dependências”, seguindo as orientações europeias e nacionais, com o objetivo de assegurar “uma resposta pública, estável e clinicamente segura” aos fins de semana e feriados.

Algo que vai ao encontro do que acontece no resto do arquipélago, “uma vez que a maioria das Equipas Especializadas de Tratamento se encontra integrada nas Unidades de Saúde de Ilha”.

De lembrar que, em julho, a presidente do Conselho de Administração da USISM, Sandra Silva, já tinha defendido este modelo, alertando, contudo, para a necessidade de reforço de recursos humanos, financeiros e logísticos necessários.

Sobre a suspensão deste serviço por parte da associação, o Governo Regional esclarece que não detetou elementos que impliquem uma tomada de posição por “alegado incumprimento contratual”.

O executivo açoriano acrescenta que a monitorização do cumprimento dos serviços contratualizados com a ARRISCAé feita pelo lado financeiro, “através da verificação mensal da despesa associada ao acordo”, e pelo lado técnico, a partir dos relatórios de execução e dos indicadores de desempenho apresentados pela associação.

No entanto, no futuro, está prevista a criação de “linhas orientadoras comuns para a prestação de cuidados” e a elaboração de um Manual de Procedimentos. O fim último é a uniformização dos procedimentos de todas as Equipas Especializadas em Tratamento, o que permitirá analisar a sua atuação.

“Em concreto, os novos critérios passam pela introdução de metas, indicadores e mecanismos de avaliação mais objetivos, que permitem aferir com maior rigor o grau de cumprimento das obrigações assumidas pelas entidades prestadoras”, lê-se na resposta.

Como serão feitos?Com a definição, por exemplo, de metas percentuais mínimas nas diferenças áreas de intervenção (consultas, rastreios, encaminhamentos e acompanhamento pós-intervenção), criação de indicadores de desempenho concretos (número de rastreios realizados, adesão terapêutica, entre outros); obrigação de recolha de dados; e reforço do acompanhamento dos resultados após intervenção inicial.

O executivo açoriano dá alguns exemplos, como, por exemplo, a definição de uma meta igual ou superior a 50% para os acompanhamentos após alta da Unidade de Desabituação.

“Estes critérios traduzem uma maior articulação entre financiamento, contratualização e resultados alcançados”, assinala o Governo Regional.  

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