Açores devem afirmar-se como região relevante no Atlântico

O presidente do Governo Regional dos Açores, José Manuel Bolieiro, disse que a próxima etapa da autonomia passa por reforçar a unidade e afirmar o arquipélago como sendo inovador, sustentável e relevante no Atlântico



“A autonomia que nasceu para responder às nossas necessidades deve também ajudar-nos, cada vez mais, a potenciar as nossas capacidades. Esta é a transformação que temos de concretizar nos próximos 50 anos”, afirmou José Manuel Bolieiro, na Horta, na ilha do Faial, na sessão que assinala os 50 anos da sua reunião inaugural, com a presença do presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco.

E concretizou: “De uma região que teve de vencer o isolamento para uma região que pode afirmar a sua centralidade. De uma região distante dos centros de decisão para uma região que, ela própria, é uma centralidade no Atlântico.”

No entanto, para o social-democrata, o futuro dos Açores só tem um verdadeiro sentido se for partilhado pelas nove ilhas.

“Queremos uma autonomia do conhecimento, com as nossas ilhas todas focadas no futuro. Podemos ser nós, aqui nos Açores, a dar vocação especial ao futuro de Portugal, da União Europeia e das relações transatlânticas”, afirmou.

Depois de referir que 50 anos de autonomia dão razões para celebrar, o governante disse que também é preciso preparar a próxima etapa: “Preservar a identidade de cada uma das nossas ilhas, reforçar a unidade dos Açores, transformar a nossa geografia em oportunidade e afirmar os Açores como uma região inovadora, sustentável e relevante no Atlântico.”

“Foi preciso construir a unidade política dos Açores para podermos afirmar, hoje, com convicção, esta ambição”, sublinhou.

No seu discurso, o líder do Governo Regional também referiu que a coesão dos Açores, com todas as ilhas, é que “deve estar sempre no entendimento político da região autónoma e esta no entendimento da coesão nacional”.

“É com o mais que cada ilha significa que os Açores são mais. É com os Açores mais valorizados que Portugal se torna mais relevante. É transformando diferenças em complementaridade, e transformando necessidades particulares em responsabilidades comuns, que daremos mais força à nossa autonomia política”, defendeu.

Para José Manuel Boleiro, a verdadeira autonomia política açoriana faz-se da pluralidade e também da unidade da sua diversidade.

“A autonomia política deu-nos liberdade para decidir, mas também a responsabilidade de encontrar soluções próprias para a nossa condição arquipelágica. E é do saber feito desta experiência que devemos projetar o nosso futuro - soluções pensadas para uma região arquipelágica, mas capazes de ter utilidade e relevância para Portugal e para a União Europeia”, defendeu.

No seu entendimento, a pequena escala das ilhas do arquipélago pode, em determinados domínios, “transformar-se numa vantagem para experimentar”.

“A nossa diversidade é uma vantagem para comparar. A nossa autonomia é uma vantagem para adaptar e decidir. É também isto que significa transformar os Açores numa região de oportunidades”, referiu.

O político salientou ainda que o momento hoje evocado não se reporta apenas a uma cerimónia realizada há 50 anos, mas “corresponde a um vibrante ‘momentum’, que se fez dinâmico e florescente, vigoroso e impulsionador de uma autonomia política progressiva”.

“Celebramos o princípio de uma instituição que, desde então, se tornou a expressão democrática e representativa de cada ilha, isto é, dos Açores todos, na nossa autonomia”, salientou.

O que aconteceu há 50 anos “foi a alteração profunda na forma de pensar e de governar os Açores”, que passou a ser uma região política, social e económica “capaz de decidir a partir de dentro”, concluiu.

Cumprem-se esta sexta-feira 50 anos sobre a data em que se formou a autonomia regional dos Açores, com o arranque do poder legislativo e a posterior formação do primeiro executivo, liderado pelo social-democrata João Bosco Mota Amaral.

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