IL acusa Governo dos Açores de ser, “eventualmente, o pior da história da Autonomia”

O deputado da IL no parlamento dos Açores, Nuno Barata, afirmou que a Região “está a falhar na construção de uma comunidade política” e disse que o executivo açoriano é, “eventualmente, o pior Governo da história da Autonomia”



“Custa-me dizer que estamos a falhar na construção de uma comunidade política que tome o nome de Açores e que seja mais do que um conjunto de ilhas, uma mera geografia. Arrisco mesmo dizer que nunca estivemos tão longe desse desiderato como agora”, afirmou o deputado da Iniciativa Liberal (IL).

Nuno Barata falava na sessão solene evocativa dos 50 anos da Autonomia, promovidas pela Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores (ALRAA), na sede do parlamento açoriano, na Horta, na ilha do Faial.

“Não podemos continuar a olhar para os Açores como nove ilhas a competir entre si, incapazes de construir uma unidade política, incapazes de se unirem num projeto que só a nós interessa e que só de nós depende”, disse o deputado, acrescentando: “Não tenhamos dúvida: no dia em que este regime de Governo depender de terceiros que não os próprios açorianos, decai e morre.”

Para o deputado da IL/Açores, a melhor forma de proteger a Autonomia é “governar melhor” e criticou “o descalabro das contas públicas” e “o fosso de endividamento”.

“Defender a Autonomia também é combater o desperdício, exigir eficiência e utilizar bem cada euro dos contribuintes”, sustentou Nuno Barata, que apontou para “a incapacidade dos partidos do poder para travarem a espiral de endividamento” que tem prejudicado a qualidade e condição de vida.

Na sua intervenção, onde abordou a situação financeira da Região, Nuno Barata referiu-se ainda ao “esbanjamento deslumbrado de recursos disponibilizados pela União Europeia, em coisas sem sentido e sem retorno”.

Por outro lado, considerou que “os interesses corporativos, senão mesmo pessoais, de politiqueiros de bairro sem visão”, têm prejudicado "o bem comum", e as oposições, na sua perspetiva, não têm tido a coragem de dizer aos açorianos “aquilo que é preciso fazer, mas, sobretudo, aquilo que não se pode continuar a fazer”.

“A Autonomia não é uma conquista”, reforçou o deputado da IL/Açores, afirmando que “a dívida não é apenas um problema contabilístico. É um problema de liberdade”.

No seu entender, os Açores precisam de um Governo Regional que "se concentre nas suas funções essenciais, descentralize decisões, valorize o mérito e a competência e crie melhores condições para que cidadãos, empresas e instituições se possam desenvolver, assegurando melhores serviços públicos com menos desperdício e maior responsabilidade na gestão do dinheiro dos açorianos".

"Infelizmente, com esta maioria de Governo, não é o que se vislumbra. Eventualmente, o pior governo da historia da Autonomia", criticou o deputado.

Nuno Barata apelou a “uma comunidade unida por um objetivo comum: construir um futuro mais forte, com mais Autonomia e mais liberdade”, alertando que “uma Região que vive acima das possibilidades dos seus contribuintes perde capacidade para decidir o seu próprio destino e transforma o futuro num buraco negro de desesperança”.

Na sua intervenção, o deputado da IL/Açores defendeu uma profunda reforma do funcionamento do Governo e da Administração Pública Regional, com menos burocracia, menos estruturas redundantes, mais descentralização, valorização do mérito e maior responsabilização pelos resultados.

“A Autonomia não estará protegida por aquilo que os Açores fizeram no passado, mas pela capacidade de os açorianos preservarem hoje a liberdade de decidir o seu próprio futuro”, concluiu.


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