“A autonomia nasceu de uma ideia muito simples e muito poderosa: os açorianos devem ter voz sobre o seu próprio destino. E 50 anos depois devemos ter a coragem de perguntar: O que fazemos hoje com essa voz? Porque a melhor homenagem que podemos prestar aos fundadores da nossa autonomia não é apenas recordar aquilo que fizeram, é continuar aquilo que começaram”, afirmou Pedro Neves.
O parlamentar discursava na Assembleia Legislativa dos Açores, na Horta, na ilha do Faial, na sessão que assinala os 50 anos da sua reunião inaugural, com a presença de José Pedro Aguiar-Branco, presidente da Assembleia da República.
E prosseguiu: “É utilizar a autonomia para combater a pobreza e as desigualdades. Para garantir que nascer numa ilha pequena não significa ter menos oportunidades. Para proteger o nosso mar, a nossa terra e a biodiversidade que tornam estas ilhas únicas. Para cuidar dos nossos animais. Para preparar os Açores para as alterações climáticas. Para garantir saúde, educação e habitação dignas.”
Na sua opinião, a autonomia também deve servir para se construir uma região onde os jovens “possam escolher ficar e não sejam obrigados a partir”.
A autonomia também “não pode significar fecharmo-nos sobre nós próprios. Somos profundamente açorianos e somos portugueses. E essas duas identidades não se diminuem: completam-se”, afirmou Pedro Neves.
No início do discurso, o deputado lembrou que há 50 anos, neste dia, os Açores “davam um passo que mudaria para sempre a sua história”
“Pela primeira vez, os açorianos tinham um parlamento seu. Um lugar onde as decisões sobre estas ilhas poderiam ser discutidas por quem aqui vivia, por quem conhecia a nossa realidade e por quem tinha recebido diretamente dos açorianos a responsabilidade de os representar”, disse.
“Hoje é, por isso, um dia de celebração, mas é também um dia de gratidão. Gratidão para com aqueles que, independentemente das suas diferenças políticas, tiveram a coragem de construir as instituições da nossa autonomia. Aos 43 deputados daquela primeira Assembleia Regional, aos que defenderam a autonomia antes de ela existir e a todos os que, ao longo destes 50 anos, ajudaram a consolidá-la”, sublinhou.
Segundo o parlamentar único do PAN, muito mudou desde 1976, mas há algo que permanece profundamente atual, a razão pela qual os Açores quiseram ser autónomos.
“Não quisemos autonomia simplesmente para termos um Governo e um parlamento próprios. Quisemos autonomia porque viver em nove ilhas no meio do Atlântico é diferente. Porque durante demasiado tempo decisões tomadas a milhares de quilómetros não compreenderam as dificuldades, as necessidades e também as enormes potencialidades destas ilhas”, disse.
