Pescadores dos Açores querem processar Estado por falta de fiscalização da zona marítima

O presidente da Cooperativa Porto de Abrigo admitiu hoje uma segunda ação judicial contra o Estado português por alegada ausência de fiscalização das águas dos Açores, que disse estarem a ser violadas, maioritariamente por embarcações espanholas.


 

“Não há uma mudança de comportamento do Estado em matérias de vigilância sobre o território marítimo de Portugal, não por má vontade da Marinha e da Força Aérea, mas porque o Estado, nas suas prioridades, não considera a fiscalização”, declarou à agência Lusa Liberato Fernandes.

Em 2004, a Cooperativa Porto de Abrigo, em parceira com outras entidades, promoveu na Justiça uma ação contra o Estado, baseada na alegada falta de fiscalização das águas portuguesas, admitindo assim Liberato Fernandes “voltar à carga nesta questão”.

Na sequência de um encontro com o grupo parlamentar do PSD, hoje à tarde, e com os responsáveis pelo Comando da Zona Marítima dos Açores (ZMA), de manhã, o dirigente do setor das pescas denunciou que existem mais de 12 embarcações espanholas que estão a pescar no interior das 100 milhas da subzona dos Açores da Zona Económica Exclusiva (ZEE) nacional.

“Nós temos informação sustentada de que existem embarcações de palangre - um aparelho derivante com muitos anzóis, semelhante ao palangre de fundo, mas que se encontra suspenso perto da superfície - de frotas que não são portuguesas, são maioritariamente do reino de Espanha, que estão a pescar palangre de superfície dentro das 100 milhas”, declarou Liberato Fernandes.

Liberato Fernandes deixou o compromisso, na sequência da solicitação dos responsáveis pelo Comando da Zona Marítima dos Açores, de fazer chegar à Marinha os elementos que comprovam a violação da ZEE nacional, com base em testemunhos de mestres armadores.

As embarcações em causa estão a pescar nos Açores, sobretudo espadarte e a tintureira, um tubarão de superfície, de acordo com Liberato Fernandes, que recorda que as embarcações de palangre de superfície em causa são muito maiores do que as açorianas, o que aumenta substancialmente a capacidade de captura.

O dirigente das pescas refere que estas embarcações estrangeiras estão a aproveitar o facto de alguns dos bancos de pesca que se situam dentro das 200 milhas serem zonas que oferecem alimento às espécies migratórias e onde o espadarte e a tintureira permanecem mais tempo.

Liberato Fernandes defendeu que se deve proceder à fiscalização das águas açorianas não só dentro das 100 milhas, mas também nas duzentas milhas, com meios marítimos e aéreos.

“Não faz sentido que exista uma fiscalização relativamente eficaz à frota pesqueira de pequena autonomia, de embarcações locais e costeiras, e que entre as 100 e 200 milhas, onde existe uma faina sobre espécies de superfície de frotas estrangeiras, estas não sejam vistoriadas”, afirmou.

Considerando que a ausência de fiscalização das pescas por parte dos meios marinhos e aéreos se prende com um desinvestimento do Estado, o líder da cooperativa Porto de Abrigo alertou o PSD/Açores que este é um problema do Estado e da Defesa nacional.

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Greve geral

O Governo Regional dos Açores esclareceu que “não fixou quaisquer serviços mínimos” no dia da greve geral, ao contrário do que foi referido pela Federação Nacional dos Sindicatos dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais (FNSTFPS)