Macau: Maior processo do território começa segunda-feira


 

LUsa / Ao online   Internacional   4 de Nov de 2007, 10:29

O ex-secretário dos Transportes e Obras Públicas, Ao Man Long, começa segunda-feira a ser julgado por 76 crimes de corrupção e branqueamento de capitais no maior processo alguma vez julgado em Macau.
    O processo, com o número 36/2007, vai decorrer no Tribunal de Última Instância, a instituição competente para julgar os casos que envolvam titulares de cargos políticos como era Ao Man Long, detido a 06 de Dezembro de 2006 e exonerado pouco depois pelo Governo Central chinês.

    Ao Man Long, que estava no Governo de Macau desde a transferência da Administração de Macau de Portugal para a China, em Dezembro de 1999, terá cometido, segundo a acusação, os alegados crimes entre 2002 e 2006.

    Com cerca de 100 testemunhas e três sessões semanais, o processo de Ao Man Long vai arrastar-se por vários meses no Tribunal e está a cativar as atenções da população e da imprensa que tem de cumprir determinados requisitos especiais para acompanhar o caso.

    Com as fortes medidas de segurança impostas, jornalistas ou cidadãos que queiram assistir a uma sessão do julgamento não podem levar para a sala de audiências qualquer aparelho de recolha de som ou imagem, terão também de deixar em zona especial telemóveis e computadores e recolher as senhas de entrada na sala 45 minutos antes das sessões começarem.

    Com apenas três juízes na Última Instância e um dos seus membros impedido de participar no julgamento por ter participado no caso na fase de Instrução, o Tribunal de Última Instância terá de receber um juiz da Segunda Instância para completar o colectivo que julgará o ex-governante.

    Segundo fontes do sector da Justiça o ex-governante não poderá recorrer da sentença já que está a ser julgado no Tribunal superior de Macau.

    Além do antigo governante estarão também no banco dos réus neste processo responsáveis das empresas Tong Lei, San Meng Fai, H. Nolasco e Chong Tit.

    Outros dois processos relativos ao mesmo caso estão já no Tribunal Judicial de Base para serem julgados.

    Num dos processos serão julgados a mulher, pai, irmão e cunhada de Ao Man Long, respectivamente Camila Chan Meng Ieng, Ao Veng Kong, Ao Man Fu e Ao Chan Wa Choi, que irão sentar-se no banco dos réus com a empresa Tong Lei.~

    Os familiares estão também acusados num terceiro processo, onde serão julgados juntamente com os responsáveis das empresas H. Nolasco, San Meng Fai e Chong Tit, explicou ainda a mesma fonte.

    Na investigação efectuada desde a prisão de Ao Man Long, o Comissariado Contra a Corrupção encontrou em cofres pessoais na residência oficial do ex-governante e em entidades bancárias de Macau e Hong Kong e em contas bancárias um total de cerca de 795 milhões de patacas (cerca de 72,2 milhões de euros).

    Além dos valores monetários, foram ainda apreendidas jóias no valor de quatro milhões de patacas, entre as quais três relógios com um valor de 2,4 milhões de patacas, cerca de 300 garrafas de vinho com um valor de quatro milhões de patacas e especialidades chinesas como barbatanas de tubarão e ninhos de andorinha, com um valor aproximado de 700.000 patacas.

    Os crimes terão sido praticados entre 2002 e 2006, período de tempo em que o casal Ao Man Long e Camila Chan Meng Ieng terá conseguido rendimentos de trabalho de cerca de 14 milhões de patacas embora estivesse na posse de valores superiores aos 800 milhões de patacas.

    Informações da investigação sustentam ainda que o esquema de corrupção passou pela abertura de empresas em paraísos fiscais em nome das quais eram depois abertas contas em Hong Kong.

    O dinheiro passava por diversas contas em quantias pequenas até ser junto a uma única conta controlada por Ao Man Long antes de seguir para outros destinos, como Inglaterra, onde o ex-governante tinha em depósitos e títulos de divida de cerca de 275 milhões de patacas.

    Além dos familiares de Ao Man Long, também os empresários Ho Meng Fai, Chan Tong Sang e Frederico Nolasco da Silva também foram pronunciados por crimes de corrupção activa e branqueamento de capitais.
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