Governo dos Açores diz que modelo de gestão do hospital de Ponta Delgada tem de mudar

A secretária regional da Saúde e Segurança Social reconheceu que “não é possível continuar a gerir” o Hospital do Divino Espírito Santo (HDES), em Ponta Delgada, com o modelo atual, na sequência do relatório da Deloitte



“Ainda bem que foi feito este relatório, porque permitiu identificar de forma concreta essas falhas [na gestão hospitalar]”, afirmou Mónica Seidi, referindo-se ao estudo que já tinha sido anunciado pela administração hospitalar.

Em declarações aos jornalistas, a titular da pasta da Saúde disse que, em relação a algumas conclusões, “o conselho de administração e a Secretaria Regional da Saúde, pelo funcionamento, já se tinham apercebido que era necessário haver uma reformulação da gestão do hospital”.

O diagnóstico elaborado pela Deloitte Business Consulting indica, segundo o jornal Açoriano Oriental, que o HDES “enfrenta fragilidades significativas nos serviços de apoio, logística e compras associados ao bloco operatório, defendendo uma reorganização estrutural e uma aposta reforçada na digitalização dos processos”.

O relatório, divulgado pelo parlamento regional em resposta a um requerimento do PS/Açores e divulgado pelo diário na quinta-feira, identifica 59 pontos críticos distribuídos por várias áreas operacionais, com especial incidência na gestão de compras e no aprovisionamento.

Para Mónica Seidi, “a responsabilidade do conselho de administração é acrescida, na medida que terá que implementar medidas para colmatar essas falhas, para que ocorra uma transformação naquilo que é a logística e o dia-a-dia do hospital”.

“Há práticas que já vêm de alguns anos, que têm que ser corrigidas e atualizadas à luz do que é o modelo de gestão dinâmico e atual do sistema de saúde, que está em constante evolução. Vou ficar muito mais satisfeita quando tiver a perceção de que essas falhas foram ou estarão a ser corrigidas pelo conselho de administração”, afirmou.

A governante frisou que as “medidas são necessárias”.

“Não é possível continuar a gerir o hospital da mesma forma sem que sejam incutidas algumas mudanças que permitiam aproveitar ainda melhor os recursos”, acrescentou.

Em abril, a administração do HDES - onde ocorreu um grande incêndio em maio de 2024 - anunciou estar a implementar um novo modelo de governação que pretende corrigir ineficiências, estando a sua plena operacionalização prevista até final do ano.

 “É vontade do conselho de administração ter um regulamento interno de funcionamento com os serviços a funcionarem em conformidade até final do ano”, afirmou o presidente do conselho de administração do Hospital de Ponta Delgada, Carlos Pinto Lopes, aos jornalistas.

A atualização, assumiu, surge como resposta à necessidade de adaptação à realidade atual da unidade, sobretudo após o incêndio de maio de 2024 “onde ficaram evidentes algumas ineficiências”.

Carlos Pinto Lopes adiantou que um estudo realizado pela Deloitte identificou precisamente “ineficiências” e “pontos de estrangulamento”, entre os quais a falta de integração entre serviços, que tem levado à duplicação de despesas, e a ausência de uma organização funcional adequada em áreas críticas.

A 4 de maio de 2024, o maior hospital dos Açores foi afetado por um incêndio, que obrigou à transferência de todos os doentes para outras unidades de saúde da região, da Madeira e do continente, tendo sido construído um hospital modular junto ao edifício do HDES para assegurar a resposta dos cuidados de saúde.

Mónica Seidi esteve no hospital para lançar simbolicamente três viaturas que vão servir o hospital, de um conjunto de 76 que serão distribuídas por todo o Serviço Regional da Saúde dos Açores (SRS), no âmbito do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).

De acordo com a titular da pasta da Saúde, “no âmbito da primeira candidatura [ao PRR], as metas principais já foram alcançadas”, havendo uma segunda “ainda mais ambiciosa”, com a aquisição de equipamentos hospitalares (165).

As viaturas “vêm dar um reforço muito positivo a todas as instituições do SRS”, já que permitem “substituir um parque automóvel que já estava bastante obsoleto”.

“Vão permitir várias funções, sendo necessário continuar a investir em serviços de saúde de proximidade, como a hospitalização domiciliária”, para além do apoio a pessoas com mobilidade reduzida, referiu.

Seidi destacou a “quantidade significativa de equipamentos” para o SRS no âmbito do PRR e sublinhou que “todo o investimento feito no âmbito do apetrechamento do hospital modular transitará para o futuro HDES”.

De acordo com a governante, no âmbito do PRR, “já foram rececionados equipamentos no valor de um milhão de euros, pelo HDES e pelo hospital da Terceira, incluindo um há muito desejado sequenciador genético.

Este equipamento irá “permitir que o rastreio do cancro do pulmão avance nos Açores” até ao “final do primeiro semestre deste ano”. Além disso, está “em fase de operacionalização” o sistema de ecoendoscopia brônquica.


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Greve geral

O Governo Regional dos Açores esclareceu que “não fixou quaisquer serviços mínimos” no dia da greve geral, ao contrário do que foi referido pela Federação Nacional dos Sindicatos dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais (FNSTFPS)