“Os cancelamentos ocorridos no período em análise foram maioritariamente motivados por condições meteorológicas adversas. Se atendermos a que muitos dos cancelamentos classificados como operacionais resultam de alterações em cadeia, por motivos meteorológicos ou de ordem técnica, o total de cancelamentos imputáveis direta ou indiretamente a condições meteorológicas ascende a 68%”, avançou o executivo açoriano (PSD/CDS-PP/PPM), numa resposta a um requerimento apresentado pelo Chega na Assembleia Legislativa dos Açores.
Os deputados do Chega, terceiro maior partido no parlamento açoriano, questionaram o Governo Regional sobre os cancelamentos de voos interilhas, alegando que “têm sido recorrentes as queixas de passageiros relativamente a atrasos constantes, cancelamentos sucessivos e alterações de voos com pouca antecedência”.
Segundo o executivo açoriano, entre maio de 2025 e abril de 2026, a Sata Air Açores cancelou 1.351 voos, dos quais 57% por razões meteorológicas, 26% por razões técnicas, 15% por razões operacionais e 2% por razões comerciais.
Nesse período, a companhia aérea contabilizou 3.724 voos atrasados, sendo que 46% se situavam no intervalo entre 30 e 60 minutos, 35% entre 60 e 120 minutos e 19% acima de duas horas.
“Estes atrasos resultam, sobretudo, de efeitos em cadeia decorrentes fundamentalmente de situações associadas a condições meteorológicas adversas e a limitações técnicas pontuais, inerentes à natureza da operação aérea”, justificou o Governo Regional.
Só no último ano, a Sata Air Açores pagou mais de 2 milhões de euros em indemnizações por cancelamento e despesas de assistência a passageiros.
Segundo os números apresentados pelo executivo açoriano, a companhia pagou 1,99 milhões de euros em indemnizações a 7.365 passageiros e perto de 175 mil euros em despesas de assistência a 3.098 passageiros.
Tem ainda em processamento outros 353 mil euros em indemnizações a 1.080 passageiros e 4.330 euros em despesas de assistência a 121 passageiros.
Atualmente, a companhia aérea “dispõe de cinco aeronaves em linha, plenamente operacionais, garantido a execução da operação interilhas”.
O Governo Regional assegurou que a frota se encontra “em operação normal, com imobilizações dentro dos padrões típicos de manutenção aeronáutica”.
Entre junho e agosto, a companhia estima ter a operar seis aeronaves e uma aeronave adicional em regime de ACMI (Aeronave, Tripulação, Manutenção e Seguro), aumentando para sete aeronaves e uma em ACMI em setembro.
“Encontra-se previsto o reforço da frota com a entrada de uma aeronave Dash Q400, o que permitirá aumentar a robustez global da operação, melhorar a capacidade de resposta a perturbações operacionais e assegurar uma maior disponibilidade de meios”, avançou o executivo, acrescentando que a entrada em operação desta aeronave está “dependente de autorização da Autoridade Nacional da Aviação Civil (ANAC)”.
Questionado sobre a época alta de 2026, o executivo açoriano disse que “foi efetuado um reforço da capacidade nas rotas que tradicionalmente registam aumentos mais significativos de procura”, associados a “períodos de maior atividade económica, festividades religiosas e eventos de natureza cultural e desportiva”.
O Governo Regional adiantou que o conselho de administração da SATA “solicitou aos diferentes municípios de todas as ilhas a identificação de eventos culturais ou desportivos suscetíveis de justificar reforços da operação da SATA Air Açores”.
“Sempre que operacionalmente viável, são introduzidos reforços de capacidade, quer através do aumento de frequências, quer mediante a adequação do tipo de equipamento utilizado”, acrescentou.
