Fundação Samarago assinala 85 anos do escritor e 25 de "Memorial do Convento"


 

Lusa/AO   Nacional   31 de Out de 2007, 09:04

A fundação José Saramago vai celebrar durante o mês de Novembro os 85 anos do escritor e os 25 anos da publicação do livro "Memorial do Convento", que terá uma edição especial.
As comemorações vão decorrer em Espanha, a 16 de Novembro, data real do aniversário de Saramago, e em Portugal a 18 de Novembro, dia que consta dos seus documentos como sendo a data de nascimento, disse à Lusa a mulher do escritor, Pilar del Rio, que preside à fundação.

    Em Lisboa, no São Jorge, haverá um espectáculo com leitura de textos do "Memorial do Convento", em particular os que estão relacionados com o compositor italiano Domenico Scarlatti - cujos 250 anos da morte também se comemoram agora - que contará com a participação de uma companhia finlandesa.

    "Unimos música e literatura com Memorial do Convento como pano de fundo", sublinhou Pilar del Rio, adiantando que a editorial Caminho e a editora espanhola Alfaguara estão associadas a estas celebrações.

    A editorial Alfaguara vai dedicar o mês de Novembro a Saramago e vai oferecer a quem compre um livro do escritor um exemplar de "O ano de 1993" (uma obra de prosa poética editada pela primeira vez em 1975), com ilustrações de Rogério Ribeiro.

    Em Portugal, vai ser lançada uma edição especial de "Memorial do Convento" com uma capa que assinala os seus 25 anos e uma oferta de um opúsculo reunindo as críticas literárias que saíram na altura em que o livro foi publicado, adiantou Pilar del Rio.

    "A Colômbia fez um ano inteiro de festa a propósito do aniversário de "Cem Anos de Solidão" de Gabriel Garcia Marquez", (lançado há 40 anos), lembrou.

    "Espero que Portugal não fique atrás da Colômbia (...) Espero que em Portugal gostem tanto de Saramago como na Colômbia de Garcia Marquez e que digam do Memorial o que lá disseram de Cem Anos de Solidão. Eu estou para ver o que fazem as instituições. O que vão fazer o Ministério da Cultura, teatros, o Instituto Camões por ocasião dos 25 anos do livro? Espero receber muitas surpresas", afirmou a mulher do escritor galardoado em 1998 com o Nobel da Literatura.

    Sobre a fundação José Saramago, que visa preservar e estudar a obra do escritor, mas se propõe também actuar fora do âmbito da literatura, Pilar del Rio fez à Lusa um balanço dos quatro meses que passaram desde a sua criação.

    "Eu sou presidenta. Quando se diz que a palavra não existe em Portugal é mentira. Não existia a função, mas a palavra existe", replicou Pilar del Rio sobre o cargo que ocupa e que insiste seja referido sempre no feminino.

    "Desde Julho até agora estamos em fase de projecto, que não é a fase mais descansada, antes pelo contrário, é pôr em ordem todas as ideias", afirmou.

    A fundação tem sede em Lisboa e Lanzarote (Canárias) e delegações em Azinhaga do Ribatejo, aldeia natal do autor, e em Castril (Granada).

    Em Castril, as actividades da fundação (em coordenação com a cátedra José Saramago) arrancaram a semana passada com uma exposição (relacionando arte e natureza), uma obra de teatro e um ciclo de conferências sobre meio ambiente, um tema essencial para a fundação.

    "O presidente do governo andaluz ofereceu-se para entregar a Al Gore (que esteve recentemente em Sevilha) a declaração programática da fundação José Saramago para colaborarmos juntos na defesa do meio ambiente", afirmou Pilar del Rio.

    Em Lisboa, a fundação tem sede nas instalações até agora ocupadas pela editorial Caminho, onde faltam ainda algumas mobílias.

    "Na sede de Lanzarote vamos fazer dia 24 de Novembro uma reunião de curadores", adiantou, explicando que a delegação de Azinhaga só deverá entrar em funcionamento em Março do próximo ano.

    Tanto em Lanzarote como em Lisboa estão previstas actividades envolvendo crianças e procurando despertar o interesse pela leitura e o respeito pela natureza.

    Literatura, respeito pelo meio ambiente e solidariedade são os valores que norteiam a actividade da instituição, frisou a mulher de José Saramago referindo que se pretende "dar voz aos que não têm voz".

    Pilar del Rio frisou ainda que há muitas pessoas a trabalhar com a fundação e grande parte delas em voluntariado.

    "Os financiamentos são nossos, não vamos contar com os Estados, somos livres", respondeu quando questionada sobre como é financiada a instituição, adiantando que se apoiam nos direitos de autor de Saramago e em muito trabalho.

    "Mas se precisarmos de um financiamento extraordinário não vamos ter dificuldade. Há entidades bancárias e financeiras disponíveis para colaborar porque há uma marca de honestidade que se chama José Saramago", acrescentou.

    Nos próximos dias, José Saramago e Pilar del Rio partem para a Argentina, onde o escritor participa em várias iniciativas, incluindo a apresentação do primeiro exemplar do Dicionário de Personagens Saramaguianas, uma obra feita por investigadores argentinos, mas que já está a ser traduzida para português.

    Para além das muitas solicitações, José Saramago está a escrever um novo livro, "A viagem do elefante".
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