Segurança rodoviária

FESTRU exige medidas para reduzir mortes nas estradas


 

Lusa / AO online   Nacional   22 de Out de 2007, 13:01

A Federação dos Sindicatos de Transportes Rodoviários e Urbanos (FESTRU) exigiu esta segunda-feira do Governo medidas que visem responsabilizar as empresas pela morte de motoristas nas estradas, com o objectivo de reduzir o número de acidentes.
Segundo Victor Pereira, dirigente da FESTRU, por cada mês que passa, morre, em média, um motorista em território nacional, no exercício da sua profissão, média que sofreu um agravamento desde o início de Setembro, uma vez que, de acordo com o sindicalista, desde essa altura até hoje, já se registaram cinco acidentes mortais.

"Os acidentes são rodoviários e não são considerados como acidentes de trabalho", disse Victor Pereira à Agência Lusa, durante uma acção realizada junto dos camionistas em trânsito pela fronteira de Vilar Formoso, integrada na jornada de luta promovida pela Federação Internacional dos Trabalhadores dos Transportes, sob o lema "A fadiga mata; pela redução dos tempos de condução".

Para o dirigente sindical, é "urgente" que os acidentes que vitimam os camionistas "sejam considerados de trabalho, porque são, efectivamente, acidentes de trabalho".

Adiantou que muitos desastres rodoviários são motivados pela fadiga dos condutores, que "são pagos ao quilómetro ou à tonelagem", situação que considera "ilegal".

"[Os motoristas] sofrem uma pressão cada vez maior e a concorrência é desleal", disse.

"O que acontece é que os pagamentos são feitos ao quilómetro, são ilegais, e o que se verifica é que se continua a pressionar os trabalhadores para abdicarem do seu horário de descanso e, por vezes, até com ameaças de despedimento", denunciou.

Victor Pereira defende uma maior fiscalização "das empresas e dos patrões", considerando que "as empresas têm que ser altamente penalizadas e não os trabalhadores".

Para evitar que a fadiga continue a estar na origem de muitos acidentes que vitimam motoristas de transportes internacionais, a FESTRU exige o aumento da fiscalização e que o Governo "não continue com o bloqueio à negociação colectiva e que os trabalhadores tenham aumentos significativos para pararem de andar a correr".

Recordou que as preocupações dos sindicatos e "toda a precariedade do sector" foram transmitidas à Presidência da República, no passado dia 11, esperando que Cavaco Silva "dê os passos necessários para resolver o problema, porque o que está em causa é a vida dos motoristas e a vida de quem anda na estrada".

Por outro lado, a FESTRU irá pedir audiências aos vários grupos parlamentares com assento na Assembleia da República "para os sensibilizar e entregar documentação que prova o que estamos a dizer", referiu o sindicalista.

Na acção realizada segunda-feira em Vilar Formoso, que envolveu sindicalistas portugueses e espanhóis, participou o deputado do PCP Bruno Dias que se mostrou "solidário" com os dirigentes sindicais.

"Viemos para estar solidários com a luta dos motoristas, prestar solidariedade com a necessidade de dar resposta a estes problemas graves que se repetem e sacrificam as vidas dos motoristas de transportes rodoviários", disse à Agência Lusa.

O deputado recordou que o PCP, no momento da revisão do Código Penal, propôs que fosse criado um novo artigo "que garantisse a responsabilização e a penalização dos responsáveis máximos" em situações de aplicação de coimas originados pelo desrespeito dos tempos de descanso e de limites de carga, mas a proposta "foi rejeitada com os votos contra do PS".

"A lei só penaliza o trabalhador, que é confrontado com esta precariedade", adiantou.

"Se a proposta fosse aceite, seria um contributo importante para dar uma resposta a esta matéria", disse o mesmo deputado comunista.

No âmbito desta acção desenvolvida em Vilar Formoso, a FESTRU também prestou homenagem aos motoristas falecidos no exercício da sua profissão, espalhando flores na principal fronteira terrestre do país.
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