Festa mais importante do judaísmo celebrada sob alta tensão


 

Lusa / AO online   Internacional   21 de Set de 2007, 23:46

Israel celebra hoje o Yom Kippur (Grande Perdão), a festa mais importante do judaísmo, com o exército em alto nível de alerta na fronteira síria e a polícia em força nas ruas por receio de atentados.
As forças armadas israelitas decretaram o bloqueio total da Cisjordânia por ocasião da festa durante a qual a vida económica israelita pára, incluindo o tráfego aéreo.

"O bloqueio total entrou em vigor na noite de quinta para sexta-feira e vai durar até domingo de manhã, a menos que seja prolongado", declarou um porta-voz militar. No passado, já foi prolongado duas semanas até depois das festas de Sukkot (Tabernáculo), que se iniciam cinco dias após o Yom Kippur.

A medida impede os palestinianos da Cisjordânia de entrar em Israel, incluindo Jerusalém oriental, anexado, "a não ser por razões humanitárias", precisou o porta-voz da polícia Micky Rosenfeld.

Devido ao bloqueio, milhares de palestinianos foram impedidos de se deslocar a Jerusalém para a oração na Esplanada das Mesquitas, na segunda sexta-feira do mês de jejum do Ramadão.

Desde as primeiras horas do dia, milhares de fiéis concentraram-se junto do controlo de Qalandya, entre Ramallah e Jerusalém, esperando passar para a Esplanada das Mesquitas na cidade santa.

Mas o controlo, que normalmente já só deixa passar palestinianos com uma autorização especial, estava encerrado.

Um porta-voz da agência da ONU para auxílio aos refugiados palestinianos (UNRWA) protestou, por seu turno, contra a recusa de passagem para Jerusalém de 200 trabalhadores, retidos num controlo.

"A polícia aumentou o nível de alerta para três, imediatamente abaixo do nível máximo" de tempo de guerra, adiantou o porta-voz.

Milhares de polícias ajudados por voluntários foram destacados hoje de manhã para mercados e outros locais públicos, tendo sido reforçada a guarda das sinagogas.

Em relação à questão síria, o chefe de estado-maior israelita assegurou que as forças armadas estavam a fazer o possível para evitar ser supreendidas pelo inimigo, como durante a guerra do Yom Kippur em Outubro de 1973.

"Faremos tudo o possível para evitar que a Tsahal (forças armadas israelitas) não seja apanhada de surpresa e se encontre na situação de antes da guerra de Kippur", declarou o general Gaby Ashkenazi, quinta-feira à noite, durante uma cerimónia dedicada aos soldados mortos na guerra.

O general Ashkenazi, cujas declarações foram divulgadas pela rádio militar, falava numa altura de tensão com Damasco, após um ataque aéreo israelita contra a Síria sobre o qual o Estado hebreu mantém um silêncio total.

"Nós somos capazes de obter a vitória, seja qual for a situação, mesmo quando os barulhos da guerra vêm da Síria ou quando o Irão aponta as suas armas", afirmou na mesma ocasião o ministro da Defesa israelita, Ehud Barak.

O exército israelita, em alerta na fronteira com a Síria, anulou certas autorizações dadas aos soldados para a festa de Kippur, segundo os meios de comunicação social.

Embora ganha após graves reveses iniciais por Israel, a guerra israelo-árabe do Yom Kippur continua, 34 anos depois, a ser vista como um trauma para o Estado hebreu, cujo mito de invencibilidade militar foi abalado.
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