Ex-PM espanhol ouvido esta semana por juiz por tráfico de influências e branqueamento de capitais

O ex-primeiro-ministro de Espanha Jose Luis Rodriguez Zapatero vai ser ouvido esta semana por um juiz no caso em que está indiciado por tráfico de influências e branqueamento de capitais



Zapatero foi notificado pelo juiz que tem a instrução da investigação em 18 de maio e o caso foi entretanto alargado a suspeitas de fraude fiscal e contrabando por, durante buscas no escritório do ex-primeiro-ministro, terem sido encontradas num cofre joias avaliadas em 1,3 milhões de euros cuja não declaradas como património.

O também ex-líder do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE) será ouvido na Audiência Nacional de Espanha, instância de investigação central, em Madrid, durante dois dias, na quarta e na quinta-feira.

Zapatero está a ser investigado "por delitos de tráfico de influências e outros conexos", incluindo branqueamento de capitais, num processo que foi "aberto para investigar o resgate da companhia aérea Plus Ultra", em 2021, revelou a Audiência Nacional de Espanha.

Segundo o sumário do processo judicial, a que a agência Lusa teve acesso, Zapatero é suspeito de liderar "uma estrutura estável e hierarquizada de tráfico de influências" com o fim de obter "benefícios económicos" através de "intermediação e o exercício de influências em instâncias públicas em favor de terceiros, principalmente, a empresa Plus Ultra".

A investigação suspeita ainda da utilização de empresas e documentação simulada "para exercer influências ilícitas" e lavar dinheiro, nomeadamente, ocultar a origem e o destino de verbas, incluindo uma empresa de que são administradoras e sócias as filhas de Zapatero. 

A empresa Plus Ultra, considerada de pequena dimensão e com ligações à Venezuela, beneficiou em 2021 de um resgate financeiro de 53 milhões de euros, concedidos na modalidade de empréstimo pelo governo espanhol, liderado pelo socialista Pedro Sánchez, que na altura criou um fundo de dez mil milhões de euros para resgatar empresas consideradas estratégicas que estavam com dificuldades por causa da covid-19.

O Governo tem manifestado tranquilidade e "respeito pela justiça", mas sem esquecer "o princípio fundamental da presunção de inocência", na investigação a Zapatero e também em relação ao resgate da Plus Ultra, sublinhando que teve o aval da União Europeia e do Tribunal de Contas.

José Luis Rodríguez Zapatero, de 65 anos, garantiu inocência e prometeu total colaboração com a justiça.

Sobre as joias encontradas no escritório em que trabalhava, disse, através de pessoas próximas, serem heranças familiares e presentes, sem dar mais detalhes.

Zapatero foi um dos grandes apoiantes de Sánchez nas últimas eleições espanholas, em julho de 2023, e chegou a ser classificado pela imprensa como o "grande ativo eleitoral" atual do PSOE.

A investigação judicial a Zapatero soma-se a outras que envolvem outras pessoas próximas ou que foram próximas de Sánchez, como um antigo ministro, ex-dirigentes do PSOE ou o irmão e a mulher do primeiro-ministro, acusados ou investigados por corrupção ou tráfico de influências. 

Nas últimas semanas, juntou-se ainda uma investigação judicial a uma antiga militante do PSOE, Leire Diez, com suspeitas de ter havido também dentro do partido uma espécie de célula que tentaria interferir nessas investigações policiais e do Ministério Público ou desprestigiá-las.

 “Toda a colaboração com a justiça, todo o respeito pela presunção de inocência do presidente Zapatero e todo o meu apoio ao presidente Zapatero”, disse Sánchez, quando foi conhecido o caso do ex-primeiro-ministro.


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