Estado deve aumentar incentivos à "autoprodução" de renováveis

Estado deve aumentar incentivos à "autoprodução" de renováveis

 

Lusa   Economia   20 de Dez de 2009, 13:48

O Estado deve aumentar os incentivos aos consumidores que aproveitem os recursos existentes para produzir energias renováveis, defendeu, em declarações à Lusa, o director do Centro de Investigação em Engenharia Biológica da Universidade do Minho, Manuel Mota.

"É necessário fazer-se mais para incentivar os consumidores a utilizar, a nível doméstico, a energia fotovoltaica, através de convectores, para produzir água quente", disse Manuel Mota, defendendo que o "Estado deve incrementar os incentivos a formas de autoprodução de energias renováveis".

Estes incentivos, adiantou, permitem generalizar o uso de convectores solares térmicos e da energia geotérmica existente no subsolo.

Comentando a promessa feita pelo primeiro-ministro português, José Sócrates, na Cimeira de Copenhaga de diminuir em 30 por cento a emissão de gases de efeito de estufa, Manuel Mota, especialista no sector, defendeu que a geotermia doméstica está ainda pouco desenvolvida em Portugal, precisando de medidas estatais de incentivo.

"Este método reside no aproveitamento da temperatura estável do subsolo para fazer um pré-condicionamento do ar nos edifícios", disse, explicando que se mete uma tubagem no subsolo, a qual aspira o ar para os edifícios, aquecendo-os já que, no Inverno, o ar, a três metros de profundidade, está à temperatura de 16 graus centígrados.

Frisou que o aproveitamento da estabilidade térmica do subsolo, muito usada já nos países nórdicos, na Suíça e na Alemanha, pode e deve ser usada em especial nos grandes prédios de habitação ou nos centros comerciais.

"Quando se faz um parque de estacionamento subterrâneo faz-se, também, tubagens de ventilação do prédio e a poupança é tal que o investimento fica pago em menos de um ano e meio", assinalou.

Manuel Mota reconheceu que "tem sido feito algo no domínio dos incentivos à produção doméstica" e apontou o caso do sucesso obtido na área da iluminação, com a substituição das lâmpadas incandescentes pelas de baixo consumo.

Na sua opinião, a poupança energética em Portugal ainda tem de passar pelo investimento em sistemas de isolamento correctos que permitem ganhos de 15 por cento e um retorno em menos de seis meses.

"Basta um revestimento no sótão entre o forro e o telhado no último andar dos prédios - que devia ser obrigatório - para se obter um isolamento adequado", observou, lembrando que se pode recorrer a placas de lã de vidro.


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