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Em Benfica, há quem apoie o Livre e diga que Montenegro “tem o fato, mas não vai vencer”

No mercado de Benfica, o porta-voz do Livre ouviu apelos à união da esquerda e encontrou apoiantes como o senhor Sá, que considerou Tavares “um homem sério” e brincou que Montenegro “já tem o fato, mas não vai vencer”.

Em Benfica, há quem apoie o Livre e diga que Montenegro “tem o fato, mas não vai vencer”

Autor: Lusa /AO Online

Entre o cheiro a peixe e os pregões habituais de um mercado, a comitiva do Livre chegou àquele espaço de Benfica munida de panfletos e bandeiras verdes decoradas com papoilas, que chamavam a atenção de quem passava.

O arranque das interações foi difícil, com Rui Tavares a ver recusados alguns panfletos ou com diálogos rápidos e sem entusiasmo. Mas ao virar de uma esquina, o deputado único do Livre, acompanhado da 'número dois' por Lisboa, Isabel Mendes Lopes, encontrou José do Carmo, reformado e residente em Benfica, que lhe deixou palavras de incentivo.

“Deus queira que isto vá tudo bem e que você vá para lá também”, disse a Rui Tavares, que agradeceu. Aos jornalistas, José do Carmo lamentou a sua pensão de 300 euros, dizendo que “foi da tropa”, ficou ferido e está a receber “uma porcaria de nada”.

Questionado sobre se gostou de ver Rui Tavares como deputado na Assembleia da República, respondeu: “Sim senhor, falou muito bem. Até me estou a arrepiar”.

Mais à frente, a peixeira Suliana, de Minas Gerais, no Brasil, quis tirar uma fotografia com Rui Tavares e confessou que não vota, mas vai obrigar o marido a ir às urnas no dia 10.

Tavares ainda entregou panfletos a algumas crianças, como à pequena Sofia, dizendo-lhe que o Livre é “o partido da papoila”.

Mas foi na parte exterior do mercado que Rui Tavares encontrou mais apoiantes, entre eles, o senhor Sá, vendedor de tecidos, que se mostrou “100% confiante” num bom resultado do Livre.

“O deputado Rui Tavares é um homem sério, não o conhecia pessoalmente, mas eu vejo-o nas notícias e na televisão, vejo que é um homem 100% sério”, disse a Tavares, dando-lhe um forte abraço.

O porta-voz ainda perguntou ao senhor Sá se fazia fatos, ao que o vendedor respondeu que não é alfaiate, mas aproveitou para deixar a ‘alfinetada’ a Montenegro, que em Leiria experimentou um fato que disse ser “exclusivo de primeiro-ministro”.

“Já está a fazer o fato, mas ele não vai vencer”, atirou o senhor Sá.

Mais à frente, outro vendedor perguntou a Tavares se ia juntar-se ao PS, apelando a uma união da esquerda “para haver igualdade para todos”.

Isabel Tavares, natural de Cabo Verde, mas residente em Portugal há mais de 41 anos, também quis cumprimentar Rui Tavares para lhe dizer que gosta da política do Livre.

De braço ao peito, a ama queixou-se de que “o sistema de saúde está um caos” e lamentou as listas de espera para a operação em Lisboa, que só conseguiu fazer no Porto.

Mas Isabel Tavares também deixou avisos sobre o subsídio de desemprego, no mesmo dia em que Rui Tavares pediu esclarecimentos a Luís Montenegro sobre as suas declarações quanto a este tema.

“Vejam pelo meu caso, que descontei aqui 30 e tal anos. Nunca estive de baixa e, infelizmente, fui parar ao desemprego. E foi quando me deparei que tenho uma miséria, que não vale a pena frisar aqui, porque é uma porcaria o que eu ganho. Mal dá para comprar medicamentos, se eu não tivesse trabalhado com cabeça”, lamentou.

Sobre o sentido de voto, Isabel não quis adiantar, brincando que “é secreto”, mas deixou um pedido a Rui Tavares: “Façam muito por este país, porque eu adoro o país que me acolheu há 41 anos”.


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