Efeitos da Kristin aumentam risco de incêndios nas zonas afetadas

A existência de riscos acrescidos de incêndio nas zonas afetadas pela tempestade Kristin, que atingiu a região Centro do país em janeiro, é uma das conclusões saídas da visita do Presidente da República aos municípios atingidos realizada em abril



"A crise revelou um problema de duração. O dano não terminou com o restabelecimento mínimo dos serviços, prolongando-se no tempo da peritagem, da decisão administrativa, da reconstrução, da regularização dos seguros, da reabertura dos negócios, da reposição da campanha agrícola e da limpeza florestal”, refere o relatório da Presidência Aberta na Zona Centro do país, realizada por António José Seguro, entre 06 e 10 de abril, para se inteirar dos efeitos da tempestade Kristin, ocorrida na madrugada de 28 de janeiro.

Segundo o relatório - divulgado pelo jornal Público e a que Lusa teve acesso – a região atingida pela tempestade é “um território ainda vulnerável à entrada do verão”.

“O território entrou na fase pré-verão ainda marcado por vulnerabilidades abertas. A acumulação de material lenhoso, o aumento da biomassa disponível, a persistência de linhas de água obstruídas, a insuficiente proteção de certos sistemas críticos e a existência de reparações ainda provisórias fizeram com que a tempestade de inverno se projetasse no tempo sob a forma de novos riscos: incêndio rural, cheias localizadas, falhas prolongadas de infraestruturas e maior exposição de populações e atividades económicas”, alerta o documento.

Nas conclusões do relatório de 96 páginas, é ainda admitido que “a crise expôs um défice estrutural de preparação prévia, tanto ao nível institucional como ao nível social”.

“Ficou evidente a insuficiência do planeamento civil de emergência, do inventário e hierarquização das infraestruturas críticas, da cultura de manutenção e redundância, da realização regular de exercícios e simulações de eventos atmosféricos severos e da preparação mínima das populações e estruturas de proximidade”, sublinha.

Segundo o relatório produzido na sequência da visita do Presidente da República, “ficou igualmente visível a fragilidade da cultura de autoproteção, incluindo a ausência, em muitos casos, de preparação elementar, 'kits' pessoais de emergência e reservas básicas alimentares e de medicamentos para situações de rutura temporária dos serviços essenciais”.

Pelo menos 19 pessoas morreram em Portugal entre o final de janeiro e o início de março na sequência da passagem, entre janeiro e fevereiro, das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que fizeram também várias centenas de feridos, desalojados e deslocados. Mais de metade das mortes foram registadas em trabalhos de recuperação.

Os temporais, que atingiram o território continental durante cerca de três semanas, provocaram a destruição total ou parcial de milhares de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias, com prejuízos de milhares de milhões de euros.

As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo foram as mais afetadas.

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