Cimeira UE/ASEAN

Durão Barroso lança desafio à Indonésia

Durão Barroso lança desafio à Indonésia

 

Pedro Rosa Mendes - Lusa / AO online   Internacional   23 de Nov de 2007, 17:05

A Indonésia, "segunda maior democracia da Ásia", deve liderar um processo de integração regional semelhante ao europeu, defendeu em Jacarta, o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso.
A relação entre a União Europeia (UE) e a Indonésia foi considerada "de importância crucial" por Durão Barroso, que iniciou em Jacarta um périplo de visitas oficiais a nações do Sudeste Asiático.

"O desafio da população do Sudeste Asiático é expandir a paz, prosperidade e liberdade, que já vemos em parte da região, a todos os países" nesta área, defendeu o presidente do executivo da UE.

"Comprometemo-nos a aprofundar a nossa parceria com a ASEAN (Associação de Nações do Sudeste Asiático), através do nosso novo plano" conjunto, salientou.

"Olhamos para a Indonésia, o maior país e a maior economia da região, para desempenhar um papel de liderança em todos os esforços para promover maior integração regional", declarou o ex-primeiro-ministro português.

A UE espera também "determinação e ambição" da Indonésia, e de outros parceiros regionais, na próxima Conferência das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas, que terá lugar no início de Dezembro, em Bali.

O presidente da Comissão Europeia, que falava no Instituto Indonésio de Relações Internacionais, em Jacarta, abordou ainda os desafios da globalização.

"Acredito que o nosso modelo da União Europeia tem algo a oferecer à Ásia", afirmou Durão Barroso.

"Precisamos de soluções colectivas. E medidas colectivas exigem parceiros negociais credíveis de ambos os lados, o que não é fácil quando os Estados operam em separado e à distância", acrescentou o presidente da Comissão Europeia.

Durão Barroso referiu os indicadores de uma relação cada vez mais estreita entre a UE e o continente asiático.

"A Ásia ultrapassou recentemente a América como o maior parceiro comercial da UE, sendo responsável por um terço do total das nossas trocas comerciais", indicou Barroso.

A China, por si só, é o segundo maior parceiro comercial europeu, depois dos EUA, recordou.

O discurso no Instituto Indonésio de Relações Internacionais serviu a Durão Barroso para explicar em detalhe a sua perspectiva da globalização e do lugar da UE nesse processo.

"Quero uma UE aberta, que expanda a sua determinação pela mudança para além das suas fronteiras", explicou Durão Barroso.

"O ímpeto de reforma deve vir de dentro e não ser imposto de fora", frisou o presidente da Comissão.

Durão Barroso agradeceu, por outro lado, os esforços da Indonésia em encontrar uma solução para a situação na Birmânia.

O presidente da Comissão Europeia referiu que, "em menos de 10 anos, a Indonésia percorreu uma distância surpreendente: das ruínas da crise financeira asiática e da queda de um regime autoritário para uma democracia vibrante com um crescimento económico sólido".

Barroso participou quinta-feira, juntamente com o primeiro-ministro português e presidente em exercício do Conselho de líderes dos 27, José Sócrates, na Cimeira UE/ASEAN, em Singapura.

No sábado, o presidente da Comissão de Bruxelas visita oficialmente Timor-Leste, onde tem previstos encontros com o presidente José Ramos-Horta, o primeiro-ministro Xanana Gusmão e o líder do principal partido da oposição e ex-primeiro-ministro Mari Alkatiri, da Fretilin, assim como uma visita ao Parlamento, onde discursará.

Segundo fonte comunitária, Durão Barroso vai, nomeadamente, "encorajar" o processo democrático e realçar que Timor-leste pode contar com a continuação da ajuda e solidariedade europeias.

O dirigente europeu visita, na segunda-feira, o Vietname e, dois dias depois, quarta-feira, estará novamente ao lado de José Sócrates na Cimeira UE-China, em Pequim.

 Sócrates e Barroso seguem depois para Nova Deli, onde decorrerá a Cimeira UE-Índia, na sexta-feira (30 de Novembro).

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