Açoriano Oriental
Dez por cento dos partos em Ponta Delgada em 2007 foram de adolescentes
Dez por cento dos partos ocorridos em 2007 no Hospital de Ponta Delgada foram de jovens adolescentes, na faixa etária entre os 14 a 19 anos, alerta um estudo hoje divulgado.

Autor: Lusa / AO Online
    André Melo, que está a concluir o sexto ano na Escola de Ciências da Saúde da Universidade do Minho, durante mais de dois meses realizou uma pesquisa para caracterizar a população de adolescentes que, durante 2007, foi acompanhada no Serviço de Ginecologia e Obstetrícia do Hospital de Ponta Delgada e realizou o parto nesta que é a maior unidade de saúde açoriana.

    O levantamento, que incidiu sobre as ilhas do Grupo Oriental (São Miguel e Santa Maria) do arquipélago, aponta para 186 casos de maternidade precoce entre Janeiro e Dezembro de 2007.

    “No espaço de um ano, um décimo das gravidezes que ocorreram em São Miguel, e com acompanhamento no Hospital de Ponta Delgada, foram jovens adolescentes”, salientou André Melo, para quem se trata de “números preocupantes”.

    Dos 186 casos, a maioria (80 por cento) tinha entre 17 a 19 anos, mas 20 por cento eram jovens entre os 14 e 16 anos.

    Ponta Delgada e Ribeira Grande (São Miguel) foram os concelhos com maior número de casos (71,5 por cento) de jovens mães.

    Rabo de Peixe (16 por cento), no concelho da Ribeira Grande, foi a localidade com maior número de casos, acrescentou à Lusa André Melo, ao salientar que 70 por cento das jovens grávidas “tinham uma baixa escolaridade (entre o 6º e 9º ano)”.

    Estavam na sua maioria desempregadas (75 por cento) e apenas 13 por cento continuavam a frequentar a escola, enquanto 12 por cento estavam a trabalhar, apontou o estudo.

    Uma parte destas jovens deviam estar já no Ensino Secundário, mas confrontadas com uma gravidez na adolescência abandonam os estudos, disse André Melo.

    Segundo o autor do estudo, nestas famílias as adolescentes dependiam economicamente dos parceiros, a maioria operários e artífices (pedreiros e carpinteiros).

    Mas 35 por cento eram solteiras e nem este apoio tinham, observou.

    Os resultados mostram, no entanto, que a maioria das mães adolescentes teve um bom acompanhamento médico (85 por cento).

    “Estas pacientes fizeram ecografias e análises preconizadas pelo Serviço de Ginecologia e Obstetrícia” do Hospital de Ponta Delgada, uma adequada vigilância que, segundo André Melo, parece estar associada a “um menor número” de casos de recém-nascidos prematuros.

    No seu entender, um adequado acompanhamento médico durante a gravidez reduz o risco de prematuridade, geralmente associado ao baixo peso ou outras complicações.

    Apostar na introdução nas escolas, numa fase muito precoce, de uma educação para a saúde é outra das recomendações do estudo.

    “Os dados revelam uma percentagem muito significativa de jovens grávidas que têm entre o sexto e nono ano, daí que estas temáticas devem ser abordadas no primeiro e segundo ciclos”, sublinhou Mário Freitas, delegado de Saúde do concelho de Lagoa, na ilha de São Miguel, que orientou o estudo em causa.

    Para o médico, parece “haver alguma despreocupação” por parte das próprias jovens, que muitas vezes pensam "isto não me vai acontecer”.

    Sublinhando o “excelente trabalho” feito ao nível dos cuidados hospitalares, o clínico defende, porém, uma maior aposta na vertente social, dado que um estatuto sócio-económico baixo está associado a uma maior incidência de gravidez na adolescência.

    O estudo, realizado com base nos processos clínicos das pacientes, recomenda também a criação de programas de apoio financeiro a este tipo de situações.

    O Governo Regional dos Açores anunciou em Abril a constituição de uma equipa para a realização de um estudo acerca da gravidez na adolescência, um grupo liderado pela professora universitária Maria Cristina Canavarro.

    Uma fonte da Secretaria Regional dos Assuntos Sociais adiantou à Lusa que até final deste mês é apresentado o relatório preliminar deste estudo.
 
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