China "forjou" momento de diversidade étnica na cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos

China "forjou" momento de diversidade étnica na cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos

 

Lusa / AO online   Internacional   15 de Ago de 2008, 11:42

Apenas crianças da etnia Han, que constitui a maioria da população chinesa, participaram no número da cerimónia inaugural dos Jogos Olímpicos (JO) que deveria representar os 56 grupos étnicos do país, afirmou hoje fonte do grupo infantil de dança.
    Segundo disse ao jornal Asian Wall Street Journal o representante do grupo de dança ao qual pertencem as crianças, os 56 meninos e meninas chineses que carregaram a bandeira chinesa num momento da festa inaugural que era suposto revelar a harmonia nacional da China, eram afinal todos de etnia Han.

    A falta de representatividade étnica é o terceiro incidente falso na cerimónia de abertura dos Jogos de Pequim, depois de a Organização ter admitido que a criança que encantou o mundo a entoar a música “Ode to Motherland” (Ode à Pátria Mãe) fez "playback" e que o fogo-de-artifício que foi exibido nas televisões de todo o mundo na noite da cerimónia de abertura foi gravado com antecedência.

    "Suponho que eles pensaram que os miúdos eram muito naturais e simpáticos", notou Yuan Zhifeng, director delegado do Grupo Artístico Infantil Galaxy, citado pelo jornal.

    O grupo é exclusivamente constituído por crianças do grupo étnico Han, que representa mais de 90 por cento dos 1,3 mil milhões de chineses, segundo o jornal.

    Na China, é frequente que os espectáculos de televisão e outras apresentações integrem crianças de etnia Han para representar outros grupos étnicos.

    No entanto, a Organização dos Jogos afirmou que as crianças pertenciam aos 56 grupos étnicos oficiais.

    "Cinquenta e seis crianças de 56 grupos étnicos chineses juntaram-se em torno da bandeira nacional chinesa, representando os 56 grupos étnicos”, pode ler-se no guia de imprensa que a Organização entregou aos meios de comunicação.

    A Organização dos Jogos ainda não fez qualquer comentário a este caso.

    A aparente representação falsa de um dos traços culturais chineses acontece num momento em que as questões étnicas são um tema particularmente sensível na China, com os tibetanos budistas e os muçulmanos Uighur com intenções de utilizarem os JO para defenderem a sua independência face à alegada administração repressiva chinesa.

Açormédia, S.A. | Todos os direitos reservados

Este site utiliza cookies: ao navegar no site está a consentir a sua utilização.
Consulte os termos e condições de utilização e a política de privacidade do site do Açoriano Oriental.