Foi uma noite eleitoral de silêncios, aquela que se viveu no número 24 da rua Margarida de Chaves, em Ponta Delgada. Na sede do Partido Socialista dos Açores, a pesada derrota - não eleição do histórico Sérgio Ávila e perda de mais de 7 mil votos - deixou marcas, naquele que foi o primeiro teste da era Francisco César.
Passava um minuto das 21h30 quando o presidente dos socialistas açorianos entrou na sala, onde estavam nomes como Cristina Calisto, Sandra Costa Dias, Carlos Silva ou Bruno Pacheco (mas não Vasco Cordeiro, o antigo líder e ex-presidente do Governo Regional dos Açores, que saiu antes da declaração política do seu sucessor).
A abrir, Francisco César assumiu a paternidade da derrota, o pior resultado do PS/Açores em Legislativas desde 2011 (quando teve 23 mil votos, mas elegeu dois deputados, sendo preciso recuar até 1991 para ter apenas um mandato - e 27 mil votos).
“Esta é, sem dúvida, uma noite difícil. Não posso nem devo esconder, não quero. Nós sabíamos, desde o início, que esta era uma batalha exigente, que o caminho era duro, mas julgo que nós o corremos com coragem, verdade e profunda entrega. Hoje, sem sombra de dúvidas, o resultado não foi aquele pelo que lutamos, mas o povo falou e falou com clareza”.
Reconhecendo o resultado, César citou Mário Soares, para refletir o seu estado de alma: “Eu nunca desisti, eu nunca virei a cara à luta e não é agora que vou desistir. Só perde verdadeiramente quem desiste de lutar. Não desisto”.
César assume que continua à frente do partido, um PS/Açores que, reconhece, terá de acelerar o seu processo de reestruturação em curso.
