Saúde

CDS critica actual sistema de encaminhamento de doentes


 

Luís Pedro Silva   Regional   5 de Dez de 2008, 08:35

O presidente do Grupo Parlamentar do CDS-PP Açores, Artur Lima, anunciou, ontem, que vai “exigir” ao secretário regional da Saúde a abertura de um inquérito para averiguar e apurar responsabilidades sobre um caso de um cidadão da Terceira que terá falecido devido a um sistema “estúpido” de encaminhamento de doentes.
Para além da abertura do inquérito, Artur Lima exige também que seja imediatamente revogado este sistema de encaminhamento de doentes que obriga um doente do concelho da Praia da Vitória, em situação de emergência, a ter que ir primeiro ao Centro de Saúde da Praia, quando transportado de ambulância, em vez de seguir directamente para o Hospital em Angra do Heroísmo.  
Em causa, segundo o líder parlamentar centrista, está o caso de um doente da freguesia do Porto Martins que perante uma paragem cardíaca fez 40km de ambulância quando poderia e deveria ter feito apenas 16km’.
“O que se passa na Ilha Terceira é, relativamente ao encaminhamento de doentes em situação de urgência e residentes no concelho da Praia da Vitória, verdadeiramente ineficiente, irracional e atenta contra a integridade física dos doentes, sendo mesmo colocadas em perigo vidas humanas”, critica.
Isto é, acrescenta Lima, “a ineficiência” total do Serviço Regional de Saúde que “faz com que o doente, em perigo de vida, percorra 40km quando podia fazer só 16 se seguisse directamente da sua residência para a unidade hospitalar”.
A situação denunciada pelo CDS-PP é referente a um doente de alto risco, recentemente operado ao coração e residente precisamente no Porto Martins, que sofreu uma paragem cardíaca, tendo sido chamada uma ambulância, que transportou o doente primeiro para o centro de saúde, onde foi avaliado pelos “médicos destacados para o serviço de urgência, que deveriam ter entrado ao serviço às 08h00, mas não estavam presentes. Mais um atraso grave”, sublinha Artur Lima.
Após análise clínica o doente foi transportado para o Hospital de Angra, onde veio a falecer.
Perante os factos, Artur Lima pergunta: “Se os médicos estivessem às oito da manhã em ponto nas urgências do Centro de Saúde da Praia o doente não teria sido melhor assistido? Está o centro de saúde da Praia da Vitória preparado para responder a casos de grande gravidade? Se tivesse sido transportado directamente da sua residência para o Hospital não estaria vivo?”  Segundo o presidente do grupo parlamentar dos populares “é ainda legítimo perguntar quantas vidas já se perderam com este sistema de encaminhamento de doentes?”, questiona Artur Lima.


Governo abre inquérito
O secretário regional da Saúde, em virtude das declarações de Artur Lima, decidiu instaurar um processo de averiguações para “apuramento dos factos ocorridos, a 2 de Dezembro, no transporte de um doente do Porto Martins para o Centro de Saúde da Praia da Vitória e, posteriormente, para o Hospital de Angra do Heroísmo”. A nota do Governo Regional acrescenta que “o fecho das urgências do Centro de Saúde da Praia da Vitória, (que resulta da revogação do sistema de encaminhamento de doentes urgentes), é uma medida drástica que pode pôr em causa a vida das pessoas”.

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