Arquidiocese de Braga diz que perde mais de 200 mil euros com "acordo Picoto"


 

Lusa/Ao online   Nacional   13 de Abr de 2019, 18:05

A Arquidiocese de Braga alegou este sábado, em comunicado, que vai perder mais de 200 mil euros com o acordo com o município relativo aos terrenos no Monte do Picoto, onde foi construído o “bairro dos ciganos”.

Segundo o comunicado, aquele bairro foi construído pela Câmara, ainda nos mandatos do socialista Mesquita Machado, “em terrenos reconhecidamente pertencentes à Arquidiocese de Braga”.

Terrenos que, acrescenta, uma comissão de peritos avaliou em 472.690 euros.

A arquidiocese diz que a Câmara, posteriormente, para a “compensar do dano sofrido com a usurpação” aquando da construção do bairro, concordou em ceder-lhe o chamado “Campo de Futebol”, um terreno com 8.060 metros quadrados e avaliado em 438.660 euros.

“Ainda que prejudicada, mas tendo em conta a desejada paz, a arquidiocese predispôs-se à troca. Mas esta, por culpas que à arquidiocese não podem ser imputadas, nunca chegou a concretizar-se, apesar de variadíssimas tentativas”, refere ainda o comunicado.

Sublinha que o “Campo de Futebol” deu entretanto lugar a uma rotunda e ao alargamento de estradas, “sem que a arquidiocese sobre o assunto fosse informada, e sem qualquer consentimento desta”.

Esta realidade “veio inviabilizar a possível permuta”.

Entretanto, “e para pôr fim a todas as questiúnculas” e “sensível à sorte de quem habita no mencionado bairro, a arquidiocese aceitou uma compensação de 200 mil euros para passar a titularidade dos terrenos para a Câmara.

“Com assinalável prejuízo. Com enorme boa vontade”, lê-se no comunicado.

A Câmara de Braga quer reabilitar o bairro mas precisa de ser reconhecida como titular dos terrenos para poder candidatar a obra a fundos comunitários.

Na última reunião do executivo, o PS criticou o acordo feito com a arquidiocese, alegando que não há nenhum documento que a reconheça como titular dos terrenos.

O vereador socialista Artur Feio desafiou mesmo a arquidiocese a doar os terrenos ao município, tendo em conta os fins sociais da intervenção que a Câmara neles pretende efetuar.

A arquidiocese responde que a doação “não é possível” e diz que “não pode desbaratar o que, com tanto sacrifício, alguns fiéis resolveram doar-lhe, a fim de cumprir a sua missão apostólica e caritativa”.

“A generosidade por alguns propalada face aos desfavorecidos certamente acrescerá à solução do problema: será suficiente que disponibilizem para o efeito não o que é dos outros (não custa fazer o bem ou a caridade com o que é de outrem), mas o que lhes pertence”, remata.



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