Voos da CIA

Ana Gomes pouco surpreendida com relatório

Ana Gomes pouco surpreendida com relatório

 

Lusa/AOonline   Regional   7 de Out de 2008, 11:41

A eurodeputada socialista Ana Gomes disse à agência Lusa não ter ficado surpreendida com o relatório que indica que os Açores foram usados pelo menos uma vez como escala de um voo da CIA para Guantanamo.
“Não me surpreende. Só pode surpreender ou até mesmo pôr em aflição quem tentou chamar-me de tolinha e desqualificar o caso”, salientou Ana Gomes.

    A eurodeputada socialista explicou à Lusa que os dados do relatório espanhol são baseados numa lista que aponta para a existência de voos militares e não só civis envolvidos no transporte de prisioneiros para Guantanamo.

    “Neste momento, o governo espanhol confirma concretamente um caso de um prisioneiro mas há muitos mais”, sustentou Ana Gomes No entender da eurodeputada, a verdade deve ser apurada o mais rápido possível.

    “É necessário no nosso caso concreto apurar até porque as autorizações para voos militares são autorizações políticas dadas pelos Ministérios dos Negócios Estrangeiros e da Defesa que implicam papel e tratamento diplomático”, referiu.

    De acordo com Ana Gomes, todos estes dados estão nos arquivos do Ministério dos Negócios Estrangeiros.

    “Estes dados podem ser facultados - a mim não o foram - à Procuradoria-Geral da República que prossegue a investigação”, frisou.

    A eurodeputada socialista disse ainda que era com base nestes elementos que achava que podia ter sido feito um inquérito parlamentar em Portugal.

    Um relatório do Ministério da Defesa espanhol indica que os Açores foram usados pelo menos uma vez como escala de um voo da CIA que transportava um preso de Guantanamo para o Cairo, Egipto.

    O relatório foi preparado pelo ministério da Defesa espanhol para a Audiência Nacional em Madrid e inclui detalhes sobre o uso de bases espanholas para aviões que transportavam presos de ou para Guantanamo.

    Entre as 13 escalas em bases espanholas e os 13 sobrevoos usando o espaço aéreo espanhol, o relatório dá conta de um voo, a 30 de Setembro, que passou duas vezes pelos Açores, numa viagem de ida e volta entre Guantanamo e o Cairo.

    Segundo o diário El País, o relatório refere que esse voo transportava um preso sujeito a um processo de extradição, cuja identidade não é revelada nos documentos do governo espanhol.

    O caso dos "voos da CIA" teve início em Novembro de 2005, quando o jornal norte-americano Washington Post revelou a existência de prisões secretas da CIA em vários pontos do Mundo para suspeitos de terrorismo, na sequência dos atentados de 11 de Setembro nos Estados Unidos.

    A eventual passagem por países europeus, incluindo Portugal, de voos da CIA com prisioneiros para Guantanamo foi alvo de inquérito no Parlamento Europeu, com a organização de direitos humanos britânica REPRIEVE a garantir que largas dezenas de voos com prisioneiros passaram por território português, entre 2002 e 2006.

    Uma participação da eurodeputada Ana Gomes à Procuradoria-Geral da República e outra do jornalista Rui Costa Pinto, que escreveu sobre o caso, levaram o Ministério Público português a decidir, em Fevereiro de 2007, a abertura de um inquérito-crime, a cargo do Direcção Central de Investigação e Acção Penal.

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