PSD afirma que relevância estratégica dos Açores tem de traduzir-se em compensação justa

O líder parlamentar do PSD na Assembleia Legislativa açoriana, Bruto da Costa, considerou que os Açores são “indispensáveis ao país e ao projeto Europeu”, mas a relevância estratégica para o mundo ocidental tem de traduzir-se “numa compensação justa”.



“Numa conjuntura internacional cada vez mais tensa e fragmentada, os Açores afirmam-se como dimensão atlântica relevante, ponto de encontro de diversos interesses geopolíticos - ora convergentes, ora divergentes -, mas sempre determinantes”, disse o parlamentar na sessão solene comemorativa do Dia dos Açores, que este ano decorre em Ponta Delgada, na ilha de São Miguel.

Para Bruto da Costa, o atual desafio político central é transformar o valor estratégico da região em “benefício concreto” para os açorianos, considerando que a Europa e a Aliança Atlântica [NATO na sigla em inglês] precisam dos Açores.

“As democracias ocidentais necessitam desta plataforma no meio do Atlântico, mas os açorianos precisam que essa importância vá além de meras palavras ou de discursos de ocasião”, disse.

E prosseguiu: “Os açorianos precisam que a importância dos Açores para o Ocidente se traduza em investimento, conectividade e coesão. […] Em suma, a relevância estratégica dos Açores para o mundo ocidental tem de traduzir-se numa compensação justa.”

No seu discurso, o líder parlamentar do PSD/Açores falou também da autonomia da região, reconhecendo que 50 anos “não são apenas memória, são também mandato”.

“Um mandato para reconhecer o caminho percorrido: uma autonomia que não nasceu por concessão, mas sim por afirmação. É a afirmação de uma identidade moldada pelo Atlântico ao longo de séculos”, vincou Bruto da Costa.

Salientou que a autonomia foi, desde o primeiro momento, um ato de confiança mútua entre os açorianos e a República e, hoje, 50 anos depois, afirma com serenidade que “essa confiança foi bem exercida”.

“Em meio século, os Açores ergueram instituições, afirmaram competências e desenvolveram políticas públicas com resultados concretos na saúde, na educação, na cultura, no ambiente, na economia ou nas infraestruturas”, disse o social-democrata.

Depois de referir que a autonomia “une, aperfeiçoa e fortalece”, reconheceu que celebrar a efeméride também exige honestidade, pois não eliminou a ultraperiferia.

“Ajudou-nos, sim, a geri-la melhor. Porque a verdade é muito simples: o isolamento tem custos. A continuidade territorial tem custos. A mobilidade tem custos. O acesso desigual a serviços continua a existir. E a dependência de cadeias logísticas frágeis permanece uma realidade”, justificou.

Para Bruto da Costa,a autonomia dos Açores não é um ponto de chegada, é um caminho percorrido permanentemente e que “exige atualização, exigência e ambição”.

A concluir, referiu que 50 anos de autonomia democrática são motivo de celebração e “um compromisso renovado”.

“Este é o compromisso de continuar a afirmar, com confiança e sem hesitações, que ser açoriano não é uma limitação. É uma identidade. É uma responsabilidade. É ocupar uma posição estratégica. E é uma força que continuaremos a afirmar”, sublinhou.

O PSD fechou as intervenções dos partidos com assento parlamentar no parlamento açoriano, que tem sede na cidade da Horta, na ilha do Faial, no grupo Central.

As comemorações que hoje decorrem em Ponta Delgada são uma organização conjunta da Assembleia Legislativa e do Governo Regional (PSD/CDS-PP/PPM), na sequência da instituição do Dia da Região Autónoma dos Açores, em 1980, para comemorar a açorianidade e a autonomia.

A data, feriado regional, é celebrada na Segunda-feira do Espírito Santo.

Na sessão solene vão ser impostas 25 insígnias honoríficas açorianas que distinguem cidadãos e pessoas coletivas que se tenham destacado “por méritos pessoais ou institucionais, atos, feitos cívicos ou por serviços prestados à região”.

Serão atribuídas seis insígnias autonómicas de reconhecimento, duas de mérito profissional, três de mérito industrial, comercial e agrícola, e catorze de mérito cívico.


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